Não haverá uma nova safra de crentes se não houver uma nova classe de professores da Escola Dominical ! Não se pode imaginar um futuro para a igreja sem educadores. Muitos acreditam que o professor da Escola Dominical é dispensável. E de fato o é, mas de qual docente estamos falando?

Certos professores são dispensáveis, assim como certos pregadores também o são. É claro que assim como não posso generalizar o último também não devo fazê-lo em relação ao primeiro. A falácia de que os professores dominicais são desnecessários à igreja é uma tentativa malsã de, parafraseando Paulo Freire, “retirar a boniteza do sonho de ser professor de tantos jovens cristãos nesse Brasil”.

Em um país que ideologicamente aprendeu a escamotear e a desvalorizar o professor, não ignoro que muitos líderes cristãos também desprezem esse importante e insubstituível ofício na igreja. Nalgumas vezes, eles parecem ter razão. Alguns docentes há muito deveriam ter pendurado a batuta:

- Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical;

- Não usam qualquer tipo de método;

- São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição;

- Reclamam que o assunto é repetido;

- Além de se colocarem nos holofotes de seus cargos eclesiásticos.

Sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não quero para a igreja deste novo milênio. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja.

Ele é:

- Monocultural, como afirma Luiza Cortesão [1], incapaz de abrir-se ao novo, à renovação;

- Taciturno, perdeu a alegria de ensinar e, por pouco, não perde a satisfação de viver.

- Dogmático, protege os erros teológicos do sistema para preservar sua própria posição na denominação.

- Iludido, pensa estar cumprindo os propósitos do Reino de Deus. Na verdade, ele se colocou na porta da EBD e não permite que ninguém mais a atravesse.

- Resistente, não admite qualquer mudança de paradigma na educação cristã, embora ele mesmo não saiba explicar suas práticas de ensino-aprendizagem.

Não resta dúvida, essa classe de professor perdeu o rumo, o telos, o sentido daquilo que faz e não consegue uma resposta às perguntas: por que ensino? por que sou professor?

Entendo que PROFESSORES RENOVADOS PRODUZIRÃO UMA IGREJA VIVA E SAUDÁVEL. Livre das enfermidades da religião, que nada mais são do que fábricas de parasitas e cruzados, esses educadores resgatariam toda riqueza que o carisma e o ofício de mestre possuem.

Mas para que isso ocorra, urge uma profunda mudança (metanóia) nos paradigmas educacionais que sustentam, à quase cem anos, a educação dominical. A Formação dos professores dominicais nas Assembleias de Deus no Brasil pouco mudou desde as cruzadas incansáveis de nosso paladino e mestre, Pr. Antonio Gilberto. O árduo trabalho desenvolvido por ele e sua equipe em todo Brasil melhoraram quantitativa e qualitativamente o perfil do professor das Assembleias de Deus.

A nossa denominação pode e deve se orgulhar de sua marcha incansável, e dos heróis e heroínas que se ofereceram como libação a favor de uma igreja madura e comprometida com o Reino de Deus.

Todavia, não podemos viver relembrando as glórias do passado se nos esquecemos dos desafios do presente e inquietações do futuro. O mundo mudou! Não é mais o monobloco de antigamente. E, isto, companheiros (as) exige uma nova classe de professores, um novo paradigma educacional, e uma nova forma de lidar com os desafios da modernidade líquida.

Notas:
[1] CORTESÃO.L. Ser professor: um ofício em risco de extinção. São Paulo: Cortez, 2002.
[2] FREIRE, P. Educação e mudança. 31.ed., São Paulo: Paz e Terra, 2008.

Blog Teologia e Graça de Esdras Costa Bentho, via http://didaticaaplicada.blogspot.com

OBS: É inadmissível que os Pastores NÃO QUEIRAM promover mudanças na Escola Bíblica com receio de transformarem as SUPERINTENDÊNCIAS e/ou os próprios PROFESSORES, sob qualquer tipo de pretexto. A excelência no ENSINO BÍBLICO trará grandes maravilhas à vida espiritual das ovelhas, que PRECISAM URGENTEMENTE de “alimento sólido”, em vez de serem obrigados a “engolirem água com açúcar” tão somente.

A pregação expositiva é a vontade do ESPÍRITO SANTO DE DEUS para Sua Igreja, mas, em vez disso, muitos buscam apenas iludir o público com eloquência e mera “Teologia da Prosperidade”.

TEMOS QUE MUDAR ESTE INFELIZ CONTEXTO JÁ !!!

Aldo Corrêa de Lima

http://malucoporjesus.wordpress.com

Publicado por: esteadebpe | 13 de janeiro de 2012

Introdução à Psicologia

Apostila 01

Disciplina: Introdução à Psicologia

 Introdução, relações entre a Psicologia e a Teologia Cristã.

         A psicologia é a ciência que estuda a mente e o comportamento humano em toda a sua amplitude. Em linhas gerais a Psicologia é uma ciência que visa compreender as emoções, a forma de pensar e o comportamento do ser humano. Embora existam diversas áreas e linhas de atuação, a Psicologia busca o conhecimento e o desenvolvimento humano individualmente ou em grupo.

   Embora a psicologia cientifica tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que ela encontra campo para um rápido crescimento,resultado do grande avanço econômico que colocou os Estados Unidos na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem às inúmeras teorias que existem atualmente.

     Essas abordagens são: O funcionalismo, de William James (1842-1910). O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867-1927) e o Associacionismo, de Edward L. Thorndike (1874-1949).

O FUNCIONALISMO

   O funcionalismo é considerado como a primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em Psicologia. Uma sociedade que exigia o pragmatismo para seu desenvolvimento econômico acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Desse modo, para a escola funcionalista de W. James, importa responder “o que fazem os homens” e “por que o fazem”. Para responder a isto, W. James elege a consciência como o centro de suas preocupações e busca a compreensão de seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adapta-se ao meio.

O ESTRUTURALISMO

   O Estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno que o Funcionalismo: a consciência. Seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central. Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi Titchener, seguidor de Wundt, quem usou o termo estruturalismo pela primeira vez, no sentido de diferenciá-la do funcionalismo. O método de observação de Titchen, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.

O ASSOCIACIONISMO

   O principal representante do Associacionismo é Edward L. Thorndike, e sua importância está em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimento pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficas que perpassam a Psicologia.

   O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das idéias das mais simples às mais complexas, a pessoa precisaria primeiro aprender as idéias mais simples, que estariam associadas àquele conteúdo.

   Thorndike formulou a Lei do Efeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei, todo comportamento de um organismo vivo (um homem, um pombo, um rato etc.) tende a se repetir, se nós recompensarmos (efeito) o organismo assim que este emitir o comportamento. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência. E, pela Lei do Efeito o organismo ira associar essas situações com outras semelhantes. Por exemplo, se ao apertarmos um dos botões do rádio, formos “premiados” com a música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca-discos, gravadores, etc.

AS PRINCIPAIS TEORIAS DA PSICOLOGIA NO SÉCULO 20

   Psicologia enquanto um ramo da filosofia estudava a alma. A psicologia cientifica nasce quando, de acordo com padrões de ciência do século 19, Wundt preconiza a Psicologia “sem alma”. O conhecimento tido como cientifico passa então a ser aquele produzido em laboratórios, com uso de instrumentos de observação e medição. Se antes a Psicologia estava subordinada à Filosofia, a partir daquele século ela passa a ligar-se a especialidades da Medicina, que assumira, antes da Psicologia, o método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso de construção do conhecimento.

   Essa Psicologia cientifica, que se constituiu de três escolas, Associacionismo, Estruturalismo e Funcionalismo, foi substituída, no século 20, por novas teorias.

   As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia neste século são consideradas por inúmeros autores como sendo o Behaviorismo ou teoria (S-R) (do inglês Stimuli-Respond — Estimulo – Resposta) , a Gestalt e a Psicanálise.

   O Behaviorismo, que nasce com Watson e tem desenvolvimento grande nos Estados Unidos, em função de suas aplicações práticas, tornou-se importante por ter definido o fato psicológico, de certo modo concreto, a parti da noção de comportamento (behavior). O comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio. Certos estímulos levam o organismo a dar determinadas respostas e isso ocorre porque os organismos se ajustam aos seus ambientes por meio de equipamentos hereditários e pela formação de hábitos, Watson buscava a construção de uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos mentalistas e de métodos subjetivos, e que tivesse a capacidade de prever e controlar.

   Apesar  de colocar o “comportamento” como objetivo da Psicologia, o Behaviorismo foi, desde Watson, modificando o sentido desse termo. Hoje, não se entende comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas, sim, como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde o seu “fazer” acontece, Portanto, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o individuo (suas respostas) e o ambiente (as estimulações).

   Os psicólogos desta abordagem chegaram aos termos “resposta” e “estimulo” para se referirem àquilo que o organismo faz e às variáveis ambientais que interagem com o sujeito.

   O mais importante dos behavioristas que sucedem Watson é B. F. Skinner (1904-1990) .

   O Behaviorismo de Skinner tem influenciado muitos psicólogos americanos e de vários países onde a psicologia americana tem grande penetração, como o Brasil. Esta linha de estudo ficou conhecida por Behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs defender) por meio da analise experimental do comportamento.

   A base da corrente skinneriana está na formulação do comportamento operante. Para desenvolver este conceito, retrocederemos um pouco na historia do Behaviorismo, introduzindo as noções de comportamento reflexo ou respondente, para então chegarmos ao comportamento operante.

   O comportamento de reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos de “não-voluntário” e inclui as respostas que são eliciadas (“produzidas”) por estímulo antecedentes do ambiente. Como exemplo, podemos citar a contração das pupilas quando uma luz forte incide sobre os olhos, a salivação provocada por uma gota de limão colocada na ponta da língua, o arrepio na pele quando um ar frio nos atinge, as famosas “lágrimas de cebola” etc.

   Esses comportamentos reflexos ou respondentes são interações estímulo-resposta (ambiente-sujeito) incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais confiavelmente eliciam certas respostas do organismo que independem de “aprendizagem”. Mas interações desse tipo também podem ser provocadas por estímulos que, originalmente, não eliciavam respostas em determinado organismo. Quando tais estímulos são temporalmente pareados com estímulos eliciadores podem, em certas condições, eliciar respostas semelhantes às destes. A essas novas interações chamamos também de reflexos, que agora são condicionados devido a uma história de pareamento, o qual levou o organismo a responder a estímulos que antes não respondia. Para deixar isso mais claro, vamos a um exemplo: suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. A temperatura da mão cairá rapidamente devido ao encolhimento ou constrição dos vasos sangüíneos, caracterizando o acompanhamento de uma modificação semelhante, e mais facilmente mensurável, na mão esquerda, onde a constrição vascular também será induzida. Suponha, agora, que a sua mão direita seja mergulhada na água gelada um certo número de vezes, em intervalos de três ou quatro minutos, e que você ouça uma campainha pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo paramento do som da campainha com a água fria, a mudança de temperatura nas mãos poderá ser eliciada apenas pelo som, isto é, sem necessidade de imergir uma das mãos..

 O comportamento operante, abrange um leque amplo da atividade humana  —dos comportamentos do bebê de balbuciar, de agarrar objetos e de olhar os enfeites do berço aos mais sofisticados, apresentados pelo adulto. Como nos diz Keller, o comportamento operante “inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta, quer indiretamente”³.

   Exemplo de comportamento operante: escrever uma carta chamar o táxi com um gesto de mão, tocar um instrumento e etc.

  Reforçamento. Chamamos de reforço a toda conseqüência que, seguindo uma resposta, altera a probabilidade futura de ocorrência dessa resposta.

   O reforço pode ser positivo ou negativo.

   O reforço positivo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o produz.

   O reforço negativo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o remove ou atenua.

   Entretanto, alguns eventos tendem a ser reforçados para toda uma espécie, como, por exemplo, água, alimento e afeto. Esses são denominados reforços primários. Os reforços secundários, ao contrario, são aqueles que adquiriram a função quando pareados temporalmente com os primários. Alguns destes reforçadores secundários, quando emparelhados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e a aprovação social.

   Outros processos foram sendo formulados pela Análise Experimental do comportamento. Um deles é o da Extinção.

   A extinção é um procedimento no qual uma resposta deixa abruptamente de ser reforçada. Como conseqüência, a resposta diminuirá de freqüência e até mesmo poderá deixar de ser emitida. O tempo necessário para que a resposta deixe de ser emitida dependerá da história e do valor do reforço envolvido.

   A punição é outro procedimento importante que envolve a conseqüenciação de uma resposta quando há apresentação de um estimulo aversivo ou remoção de um reforçador positivo presente.

   Os dados de pesquisas mostram que a supressão do comportamento punido só é definitiva se a punição for extremamente intensa, isto porque as razões que levaram à ação — que se pune — não são alteradas com a punição. O transito é um excelente exemplo. Apesar das punições aplicadas a motoristas e pedestres na maior parte das infrações cometidas no trânsito, tais punições não os têm motivado a adotar um comportamento considerado adequado para o trânsito. Em vez de adotarem novos comportamentos, tornaram-se especialistas na esquiva e na fuga.      

 A Gestalt, que tem seu berço na Europa, surge como uma negação da fragmentação das ações e processos humanos, realizada pelas tendências da Psicologia cientifica do século 19,postulando a necessidade de se compreender o homem como uma totalidade. A Gestalt é a tendência teórica mais ligada à Filosofia.

   Seus articuladores preocuparam-se em construir não só uma teoria consistente, mas também uma base metodológica forte, que garantisse a consistência teórica.

   Gestalt é um termo alemão de difícil tradução. O termo mais próximo em português seria forma ou configuração, que não é utilizado, por não corresponder exatamente ao seu real significado em Psicologia.

   Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941), baseados nos estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção, construíram a base de uma teoria eminentemente psicológica.

   Os gestaltistas estavam preocupados em compreender quais os processos psicológico envolvidos na ilusão de ótica, quando o estimulo físico é percebido pelo sujeito como uma forma diferente da que ele tem na realidade.

   A percepção é o ponto de partida e também um dos temas centrais dessa teoria. Os experimentos com a percepção levaram os teóricos da Gestalt ao questionamento de um principio implícito na teoria behaviorista — que há relação de causa e efeito entre o estimulo e a resposta — porque, para os gestaltistas, entre o estimulo que o meio fornece e a resposta do individuo, encontra-se o processo de percepção. O que o individuo percebe são dados importantes para a compreensão do comportamento humano.

   Na visão dos gestaltistas, o comportamento deveria ser estudado nos seus aspectos mais globais, levando em consideração as condições que alteram a percepção do estimulo. Para justificar essa postura, eles se baseavam na teoria do isomorfismo, que supunha uma unidade do universo, onde a parte está sempre relacionada ao todo.

   Quando eu vejo uma parte de um objeto, ocorre uma tendência à restauração do equilíbrio da forma, garantindo o entendimento do que estou percebendo.

   Esse fenômeno da percepção é norteado pela busca de fechamento, simetria e regularidade dos pontos que compõem uma figura (objeto).

   A Gestalt encontra nesses fenômenos da percepção as condições para a compreenção do comportamento humano. A maneira como percebemos um determinado estimulo irá desencadear nosso comportamento. Muitas vezes, os nossos comportamentos guardam relação estreita com os estímulos físicos, e outras, eles são completamente diferentes do esperado porque “entendemos” o ambiente de uma maneira diferente da sua realidade. Quantas vezes já nos aconteceu de cumprimentarmos a distância uma pessoa conhecida e, ao chegarmos mais perto, deparamos com um atônito desconhecido. Um “erro” de percepção nos levou ao comportamento de cumprimentar o desconhecido. Ora, ocorre que, no momento em que confundimos a pessoa, estávamos “de fato” cumprimentando nosso amigo.

   Esta pequena confusão demonstra que a nossa percepção do estímulo (a pessoa desconhecida) naquelas condições ambientais dadas é mediatizada pela forma como interpretamos o conteúdo percebido.

   A tendência da nossa percepção em buscar a boa-forma permitirá a relação figura-fundo.       

   A psicologia da Gestalt, diferentemente do associacionismo, vê a aprendizagem com a relação entre o todo e a parte, onde o todo tem papel fundamental na compreensão do objeto percebido, enquanto as teorias de S-R (Associacionismo, Behaviorismo) acreditam que aprendemos estabelecendo relações — dos objetos mais simples para os mais complexos.

   Exemplificando, é possível a uma criança de 3 anos, que não sabe ler, distinguir a logomarca de um refrigerante,distinguindo a figura (palavra) e o fundo.

   Nem sempre as situações vividas por nós apresentam-se de forma tão clara que permita sua percepção imediata. Essas situações dificultam o processo de aprendizagem, porque não permitem uma clara definição da figura-fundo, impedindo a relação parte/todo.

   Acontece, às vezes, de estarmos olhando para uma figura que não tem sentido para nós e, de repente, sem que tenhamos feito nenhum esforço especial para isso, a relação figura-fundo elucida-se.

•  A Psicanálise, que nasce com Freud, na Áustria, a partir da prática médica,recupera para a Psicologia a importância da afetividade e postula o inconsciente como objeto de estudo, quebrando a tradição da Psicologia como ciência da consciência e da razão.

   O termo psicanálise é usado para se referir a uma teoria, um método de investigação e a uma pratica profissional. Enquanto teoria, caracteriza-se por um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida, relatando suas descobertas e formulando leis gerais sobre a estrutura e o funcionamento da psique humana. A psicanálise, enquanto método de investigação, caracteriza-se pelo método interpretativo, que busca o significado oculto daquilo que é manifesto por meio de ações e palavras ou pelas produções imaginárias , como os sonhos, os delírios, as associações livres ,os atos falhos. A prática profissional refere-se à forma de tratamento — a Análise — que busca o auto-conhecimento ou a cura, que ocorre através desse auto-conhecimento. Atualmente, o exercício da Psicanálise ocorre de muitas outras formas. Ou seja, é usada como base para psicoterapias, aconselhamento, orientação; é aplicada no trabalho com grupos, instituições. A Psicanálise também é um instrumento importante para a analise e compreensão de fenômenos sociais relevantes: as novas formas de sofrimento psíquico, o excesso de individualismo no mundo contemporâneo, a exacerbação da violência etc.

  Em Viena, o contato de Freud com Josef Breuer, médico e cientista, também foi importante para a continuidade das investigações. Nesse sentido, o caso de uma paciente de Breuer foi significativo. Ana O. apresentava um conjunto de sintomas que fazia sofrer: paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldades de pensamento. Esses sintomas tiveram origem na época em que ela cuidara do pai enfermo. No período em que cumprira essa tarefa, ela havia tido pensamentos e afetos que se referiam a um desejo de que o pai morresse. Estas idéias e sentimentos foram reprimidos e substituídos pelos sintomas.

   Em seu estado de vigília, Ana O. não era capaz de indicar a origem de seus sintomas, mas, sob o efeito da hipnose, relatava a origem de cada um deles, que estavam ligados a vivências anteriores da paciente, relacionadas com o episódio da doença do pai. Com a rememoração destas cenas e vivências, os sintomas desapareciam. Este desaparecimento não ocorreria de força “mágica”, mas devido à liberação das reações emotivas associadas ao evento traumático — a doença do pai, o desejo inconsciente da morte do pai enfermo.

   Breuer denominou método catártico o tratamento que possibilita a liberação de afetos e emoções ligadas a acontecimentos traumáticos que não puderam ser expressos na ocasião da vivência desagradável ou dolorosa. Esta liberação de afetos leva à eliminação dos sintomas.

   “aos poucos, foi modificando a técnica de Breuer: abandonou a hipnose, porque nem todos os pacientes se prestavam a ser hipnotizados; desenvolveu a técnica de ‘concentração’, na qual a rememoração sistemática era feita por meio da conversação normal; e por fim, acatando a sugestão (de uma jovem) anônima, abandonou as perguntas — e com elas a direção da sessão — para se confiar por completo à fala desordenada do paciente”

   “Qual poderia ser a causa de os pacientes esquecerem tantos fatos de sua vida interior e exterior … ?”, perguntava Freud.

   O esquecido era sempre algo penoso para o individuo, e era exatamente por isso que havia sido esquecido e o penoso não significava, necessariamente, sempre algo ruim, mas podia se referir a algo bom que se perdera ou que se fora intensamente desejado. Quando Freud abandonou as perguntas no trabalho terapêutico com os pacientes e os deixou dar livre curso às suas idéias, observou que, muitas vezes, eles ficavam embaraçados, envergonhados com algumas idéias ou imagens que lhes ocorriam. A esta força psíquica que se opunha a tornar consciente, a revelar um pensamento, Freud denominou resistência. E chamou de repressão o processo psíquico que visa encobrir, fazer desaparecer da consciência, uma idéia ou representação insuportável e dolorosa que está na origem do sintoma. Estes conteúdos psíquicos “localizam-se” no inconsciente.

   Tais descobertas

   “(…) constituíram a base principal da compreensão das neuroses e impuseram uma modificação do trabalho terapêutico. Seu objetivo (…) era descobrir as repressões e suprimi-las através de um juízo que aceitasse ou condenasse definitivamente o excluído pela repressão. Considerando este novo estado de coisas, dei ao método de investigação e cura resultante o nome de psicanálise em substituição ao de catártico”.  

       A primeira teoria sobre a estrutura do aparelho psíquico:  O inconsciente, o pré-consciente e o consciente.

       A descoberta da sexualidade infantil.

       A segunda teoria do aparelho psíquico: O id, o ego e o superego

RELAÇÃO ENTRE A PSICOLOGIA E A TEOLOGIA

       “embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. (2ª Coríntios 10:3-5)

         O homem esforça-se para encontrar um sentido para a vida neste mundo. Parte desse esforço é a tentativa de integração entre a Teologia Cristã e a Psicologia, uma vez que ambas oferecem grande contribuição para a compreensão da raça humana. Essa proposta considera que o produto do estudo bíblico e a pesquisa da Psicologia têm igual valor quanto à visão da realidade. No entanto, tal visão da realidade está em constante fluxo, devido ao continuo avanço e expansão da teoria e conhecimento científico.

        Há três abordagens diferentes em relação à integração da Psicologia e a Teologia Cristã.

A primeira afirma que a Teologia Cristã e a Psicologia são essencialmente incompatíveis. Ambas são percebidas como inimigas mortais.

A segunda abordagem encontra valor em certos conceitos bíblicos, mas os redefine de forma a remover seu conteúdo sobrenatural, analisando-os de modo a explicá-los sem seus aspectos miraculosos e divinos.

         A terceira abordagem reconhece tanto a Psicologia como a Teologia Cristã como legítimas, mas não busca uma integração entre elas, mantendo-as em compartimentos separados, secular e sagrado. São reconhecidas como expressando as mesmas verdades, possibilitando o uso da Psicologia para ilustrar e dar apoio ao ensino teológico.

       Alguns cristãos buscam uma integração entre a Psicologia e a Teologia Cristã, argumentando que toda a verdade é a verdade do Deus criador de todas as coisas, seja ela encontrada na revelação bíblica ou na experimentação científica. A tentativa de equalizar a revelação bíblica e as percepções humanas estimuladas pela criação encontra uma dificuldade. Enquanto o homem e a natureza são caídos, a revelação das Escrituras não é. Pelo contrário, sua mensagem é inerrante. Foi introduzida depois da Queda com o propósito de comunicar o amor de Deus ao homem caído.

       Como conseqüência, as interpretações e conclusões derivadas do estudo dos dados tirados da criação não podem receber o mesmo status das declarações claras e simples das Escrituras. A última coisa que queremos é escurecer os ensinos bíblicos integrando-os às areias movediças das teorias e modelos científicos. Pelo contrário, o trabalho crucial do cristão é preservar e difundir a fé que “uma vez por todas foi confiada aos santos” (Judas 1:3)

         As Escrituras devem reger nosso entendimento da pesquisa, da teoria e da prática psicológicas, ainda que uma possa cooperar com a outra. A Psicologia faz perguntas e oferece dados que ajudam o entendimento teológico do ser humano, e a Teologia expressa as verdades divinamente reveladas que oferecem qualidade à visão da humanidade da Psicologia que, por natureza, está em desenvolvimento constante.

       A Escritura é verdade, assim como os dados que aprendemos da natureza. O homem que lida com ambos, porém, é caído e falível. Então, sua interpretação tanto da Escritura como da criação não tem a garantia da certeza. O objetivo da vida humana tornou-se uma busca pela verdade e um esforço para integrar toda a verdade disponível em um dado momento. Nossa compreensão da verdade não é completa, mas está em constante avanço. Aqui lidamos com um dilema: de um lado, temos a compreensão humana, que, marcada pela queda, não é plena, mas muda o tempo todo. De outro, temos o homem falido e falível, que busca compreender a verdade, ao mesmo tempo em que a percebe de forma limitada.

       Precisamos de mais conhecimento que possa ajudar-nos a tratar com os inumeráveis problemas confrontando a igreja hoje. Precisamos de novas percepções sobre o ensino bíblico e novos conceitos teóricos para entender melhor a natureza do homem e de seu funcionamento. E precisamos de uma aplicação crescente de nosso conhecimento bíblico. A Psicologia e a Teologia podem cooperar para uma reavaliação das respostas que tem sido dadas a algumas questões antigas. Devemos estar dispostos a usar o que já sabemos até agora para fundamentar nosso estudo do ser humano e do dilema humano.

      Temos, de um lado, a Escritura que se afirma a si mesma como suficiente para a instrução do homem na verdade (2 Tm 2:15; 3:16). Do outro lado, a ciência humana que caminha devagar, pois tratada pelo homem com sua natural ansiedade e conseqüente necessidade de defesa. Torna-se rígido, fechado ou intolerante, temendo as conseqüências da abertura. Temos aprendido que é mais seguro restringir nossa consciência. Como o homem, com tal dificuldade, pode garantir uma compreensão adequada de si mesmo?

      Como Cristãos podemos afirmar uma sabedoria parcial nisso tudo, mas apenas dentro do contexto de uma estrutura bíblica fixa e ampla. A Bíblia recomenda-nos cautela e circunspecção. (I Ts 5:21) As Escrituras nos ensinam a não nos conformarmos com este mundo, mas transformar nosso modo de pensar segundo a mente Daquele que tem autoridade sobre tudo.

       Não temos que validar a revelação com o conhecimento do mundo, mas trazer o conhecimento do mundo cativo à revelação: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. (2ª Coríntios 10:5). Não temos que nos engajar em uma busca pela verdade, mas proclamar que temos sido visitados pela verdade (João 1:9, 10) e a Palavra de Deus é a verdade.

        A decisão do cristão deve ser evitar lealdade a qualquer ciência humana. Não por conta da incerteza perpétua do homem, mas por que toda ciência, ainda que em processo de descoberta da verdade, depende de construtos humanos e, portanto, inferior a nós mesmos, alvos da Graça de Deus. Não podemos tomar as teorias humanas seriamente porque são em princípio falíveis. A eterna sabedoria nos diz que o criador não se curva diante da sua criação.

Um modelo bíblico para a Psicologia

A Bíblia, anunciando a Graça de Deus para o homem, considera-o definitivo. Tão definitivo que Cristo tornou-se homem e viveu entre nós. Mesmo em sua natureza glorificada pela ressurreição, pôde ser reconhecido pelos discípulos. Portanto, a ciência não pode ser maior que nós, pois ela é criação nossa, ainda que limitada, imperfeita. A recusa de adorar as obras de nossas mãos nos dá liberdade. Nós somos os mestres da pesquisa e da teoria científicas e elas são apenas instrumentos e ferramentas. A posição cristã é clara: trazer as imaginações humanas à submissão de Deus e sua Palavra.

          Através de Sua Palavra Deus providenciou um sistema no qual há tanto estrutura como liberdade. Se crermos com firmeza em seus claros ensinos, recusando ficarmos impressionados diante das obras de nossas mãos e de nossas especulações, seremos abençoados e aproveitaremos uma Psicologia produtiva, porque orientada por Deus. Na liberdade do Reino de Cristo descobriremos todas as boas e verdadeiras coisas que Ele tem para nós no domínio da Psicologia. A estrutura de pensamento providenciada pelo Espírito Santo permite um avanço da ciência porque ela submete o conhecimento da ciência ao endosso de Deus, que valida ou não nossas teorias e modelos científicos.

        As doutrinas e categorias bíblicas básicas não podem ser niveladas às teorias e conceitos humanos. Se fizermos isso teremos um mau Cristianismo e uma má Psicologia. Se mantivermos firmeza de fé e disposição de submissão a todo conselho bíblico, encontraremos a liberdade e a estrutura necessária para verdadeira produção científica. Em Cristo eem Seu Reino, a Palavra de Deus é sempre “sim”. (2ª Coríntios 1:20). A ciência humana será sempre talvez e, muito freqüentemente, não.

BIBLIOGRAFIA 

PSICOLOGIAS( Uma introdução ao estudo da psicologia)

Teixeira, Maria de Lourdes Trassi

Furtado,Odair

Bock, Ana Mercês Bahia

DESENVOLVIEMENTO E PERSONALIDADE DA CRIANÇA

Musse, Paul Henry; Conger, John Janeway

Kagan, Jeromo; Huston, Aletha Carol.

PSICOLOGIA

Lindzey, Gardner

Hall, Calvin S.

Thompson, Richard F.

Publicado por: esteadebpe | 13 de janeiro de 2012

Relação do Corpo Docente

- JOSEVAL SERAFIN (Prof. Língua Portuguesa) – joseval_serafim@hotmail.com – 8177.7059

- GIVANILDO HERMANO (Prof. Fundamentos Evangelização) – givanildohermano@hotmail.com – 8796.7147

- AMÉLIA BORGES (Profa. Introdução Psicologia) – ameliapsiborges@hotmail.com – 9837.3938

- SANDRO FIRMINO (Prof. Seitas e Religiões) – pbsandrofirmino@gmail.com – 8747.1023

- SAULO (Prof. Introdução Bíblica) -

- ERODITA D´ANGELIS (Prof. Antropologia Missiológica) – ero_dangelis@hotmail.com – 8882.2088

Publicado por: esteadebpe | 13 de janeiro de 2012

Relação dos Alunos do 1º Ano (Turma 2011 / 2012)

- JUSSIMÁRIO (Representante de Classe) – 9298.3889

- ALMIR – irmao_almir37@hotmail.com – 9221.4876 e 9939.2403

- MARCONE MÁRIO DA SILVA – 9924.5477

- THIAGO GERVÁSIO A. DA SILVA – t_gervasio@yahoo.com.br – 9821.3311 e 3721.7111

- ALDO CORRÊA DE LIMA – aldoadv@gmail.com – 9622.0778

- AILTON GOMES DA SILVA – ailtonche@hotmail.com – 8635.4184

- ALBERI – alberi.soni@yahoo.com.br – 8640.1527 (Cortês – PE)

- RICHARD – richard.fabricio@hotmail.com – 9844.1386

- LINDENIS MARCELO – linplicante@bol.com.br

- SANDRO R. DE OLIVEIRA – 9913.4815 e 9415.4584

- SIVONALDO – sivonaldo1977@hotmail.com – 9494.7455 e 9676.7190

- LIZONEL ALCIDES DE MELO – 9608.9364

- JOÃO BATISTA DA SILVA – joao-batista19@live.com – 9231.5316

- WELIZANDRA MARTINS DA SILVA – welizandramartins@hotmail.com

- JOSÉ EDSON DA SILVA MELO –

- EDSON EVANGELISTA SANTANA – santana_eds@hotmail.com – 9974.8109 e 9218.8371

- VICTOR ANTÔNIO ROMÃO – vitor.romao@yahoo.com.br – 9815.937…

- MARCONE MÁRIO DA SILVA – 9924.5477

- RENATO LEONARDO FERREIRA DA CONCEIÇÃO – monaliza.j@hotmail.com – 9602.1434

- UCLÉCIO VITURINO DE ARAÚJO – 9608.0278

- FRANCISCO ALVES DA SILVA – francisco_tuka@hotmail.com

- ANTÔNIO EVANGELISTA DE LIMA – antonioael20092009@hotmail.com

- MAURÍCIO ALVES DA SILVA – mauricio.alves1976@bol.com.br – 8658.1125

- MAURÍLIO ALEXANDRE S. ALVES – mrbrown_6@hotmail.com – 9150.1058

- JOSIAS DE SOUZA ALVES – josiasjosias@live.com e josiask82010@hotmail.com – 9213.8576

- OSVALDO SILVA FABRÍCIO – 9769.5111

- GENIVALDO ROBERTO JULIÃO – 9485.4282

- GLÁUCIO DE M. BARBOSA – glauciopb@hotmail.com

- ADEJAN – adejanclauton1973@hotmail.com – 9406.1336

- JANACLÉCIO – idevocemesmo@gmail.com – 8639.6157

- GILBERTO CARLOS – gilbertocsdl@hotmail.com – 9687.5363

- RENATO LEANDRO – renatolf2009@bol.com.br – 9602.1434

- UCLÉCIO – 9608.0278

- ITHALO RUAN – ithaloirmao@hotmail.com – 9644.9821

- JOSÉ WAGNER INÁCIO DA LUZ– ijosewagner@yahoo.com. br – 8787.9878

Publicado por: esteadebpe | 8 de janeiro de 2012

Introdução Bíblica

 

 

O Antigo Testamento era a Bíblia que Jesus e os Apóstolos usaram para confirmar aquilo que pregavam. É nele que se encontram testemunhos a respeito de Cristo e a exibição do plano de salvação por meio da fé Nele (Rm 3. 21; II Tm 3. 15).

            Sua relação com o Novo Testamento é o cumprimento das promessas ali contidas. Ora, se no Antigo Testamento há o registra daquilo que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras, aos Pais, pelos profetas, em o N. T., temos Sua Palavra transcendente: Seu Filho.

CAPÍTULO 1

GENERALIDADES DA BÍBLIA

1. 1. O NOME “BÍBLIA”, ORIGEM E SIGNIFICADO

a. Bíblia. O termo Bíblia vem do latim, proveniente do grego “biblos”, que significa “pergaminhos”, ou “livros” (cf II Tm 4. 13). Vertido para o latim, o termo biblos tornou-se substantivo feminino singular: bíblia. Daí designarmos o Livro Santo de “A Bíblia”. Foi João Crisóstomo, no IV século d.C., o primeiro a empregar o termo bíblia no tocante às Escrituras.

b. Escritura Sagrada. O termo Escritura vem do latim “scriptura”, indicando o texto ou a palavra escrita. Em II Timóteo 3. 15 Paulo faz referência às “Sagradas Escrituras” que o jovem Timóteo conhecia desde a sua infância. Assim, Escritura Sagrada também é um termo bastante apropriado para designar o Livro da Revelação de Deus.

c. Palavra de Deus. “Palavra” é a tradução de “dabhar”, da língua hebraica, ou “logos” da língua grega. Ela nas Escrituras designa quase sempre algo que é falado, e às vezes o que está escrito. Nesse sentido, aquilo que os profetas ouviram de Deus constitui-se em revelação, como também essas mesmas palavras escritas em linguagem humana, que é o “texto escrito”.

1. 2.  Os dois Testamentos na Bíblia

A Bíblia é a reunião de várias obras distinta, chamadas de: O Antigo e o Novo Testamento. Vem do latim “Testamentum”, traduzido da palavra “Aliança”. A Bíblia, portanto, é o conjunto de livros que nos falam da Aliança que Deus fez com Israel, por intermédio de Moisés, atingindo sua plenitude em Cristo, com Sua morte redentiva.

O Antigo Testamento dos judeus. A Bíblia Hebraica é dividida em três blocos conforme abaixo:

            Lei         (Torah)                           Profetas                          (Nebiim)            Escritos          (Ketubim)
GênesisÊxodoLevíticoNúmeros

Deuteronômio

 

Josué; JuízesI, II SamuelI, II Reis; IsaíasJeremias

Lamentações

Ezequiel; Oséias; Joel

 

Amós; ObadiasJonas; MiquéiasNaum; HabacuqueSofonias; Ageu

Zacarias

Malaquias

 

Rute; I, II CrônicasEsdras; NeemiasEster; Jó; SalmosProvérbios

Eclesiastes

Cantares; Daniel

       

           

O livro de Daniel figura entre os “Escritos” e não entre os “Profetas”. O livro de Josué figura entre os “Profetas” e não entre os “Históricos”. Vê-se que essa classificação é imprecisa.

O Antigo Testamento para os cristãos

               Histórico             Proféticos          Didáticos (Poéticos)
Gênesis e Êxodo,Levítico e Números,Deuteronômio, Josué,Juízes, Rute e I, II Samuel,

I, II Reis e I, II Crônicas,

Esdras, Neemias e Ester

Isaías,Jeremias e Lamentações,Ezequiel, Daniel e Oséias,Joel, Amós e Obadias,

Jonas, Miquéias e Naum,

Habacuque e Sofonias,

Ageu, Zacarias e Malaquias

JóSalmosProvérbiosEclesiastes

Cântico (ou Cantares)

 

            Observe que os cincos livros da Torah (Lei), são chamados de “históricos” ainda que o livro de Levítico e Deuteronômio contenham quase que leis ou discursos. Também o Saltério ou Salmos é designado de didático ou poético. Tal classificação, embora imprecisa é muito útil para que se identifique o conteúdo do livro de acordo com cada tipo de literatura.           

Ao classificar os livros proféticos é comum também se fazer distinção entre:

a. Os Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel.

b. Os Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. Estes livros são designados assim mediante o volume de seus escritos.

Classificação dos livros do Novo Testamento

            Como já observamos, a Igreja Cristã reconhece em uníssono, os 27 livros do Novo Testamento como inspirados, ou seja, canônicos.

     Evangelhos         Livros    Históricos              Epístolas       Literatura    Apocalíptica 
MateusMarcosLucasJoão

 

 

 

Atos dos Apóstolos  Romanos; I e II CoríntiosGálatas; EfésiosFilipenses; ColossensesI, II Tessalonicenses

I, II Timóteo; Tito

Filemon; Hebreus e Tiago

I, II Pedro

I, II, III João e Judas.

 

    Apocalipse 

A divisão da Bíblia em capítulos e versículos. Documentos antigos revelam o interesse da Igreja nos primeiros séculos do cristianismo em dividir os evangelhos por assuntos. Mas foi somente na Idade Média que a tarefa tornou-se realidade.

            O chanceler da Universidade de Paris, Estevão Langton, foi quem demarcou a Bíblia em capítulos em 1226. Quanto à numeração dos versículos, foi realizada em 1551, pelo editor Robert Stephanus, também de Paris.

1. 3. As línguas originais da Bíblia

O hebraico. Os livros do Antigo Testamento foram escritos originalmente na língua hebraica (com algumas porções em aramaico: Est 4. 7, 6. 18; Jer 10. 11; Dan 2. 4-7, 28).

O hebraico era a língua oficial de Canaã (Is 19. 18), ou língua dos fenícios adotada pelos clãs ou tribos israelitas quando entraram na Terra Prometida (Dt 26. 5).

O hebraico era falado em toda a costa do Mar Mediterrâneo e há indicações de que já era usado desde cerca de 800 antes de Cristo como “língua judaica” (cf II Rs 18. 26).

             O termo “hebraico” ficou conhecido por causa dos hebreus que o adotaram como idioma oficial. Contudo, seus antepassados, os Patriarcas falavam o aramaico, que foi perdido devido à aculturação dos cananeus e do tempo que passaram no Egito. Com o exílio em Babilônia (606-536 a.C.) os hebreus voltaram a falar o aramaico, pois era a língua dos babilônicos.

O aramaico era falado durante o I século da era cristã, enquanto o hebraico estava restrito apenas a área religiosa e as escolas rabínicas. 

O grego. O Novo Testamento foi escrito em grego, língua que se tornou comum um pouco antes de Cristo, quando Alexandre da Macedônia, que dominou vários reinos entre 336 a 323 a C., levou a cultura grega, inclusive a sua língua (o grego) a esses povos. No tempo de Jesus era este idioma o mais falado, embora o latim fosse a língua oficial do Império Romano.

            O grego em que o N. T. foi escrito, não é o grego clássico falado pelos filósofos da época. E sim o grego koiné (que significa comum, ou seja, o idioma falado pelo povo).  

1. 4. Os materiais, as traduções e versões da Bíblia

Materiais de escrita da Bíblia. O mundo antigo usou vários materiais de escrita, desde tabuinhas de argila até pedras. O papiro e o pergaminho foram os mais importantes.

a. O papiro. É um material extraído de uma planta do mesmo nome que cresce às margens do rio Nilo, no Egito. Por ser um material frágil, não resiste à umidade; mas o calor do Oriente ajuda na sua conservação. A princípio, boa parte da Bíblia foi escrita em papiro.

b. O pergaminho. Oriundo de Pérgamo – uns 200 anos a.C. – daí o nome, era de peles de animais. O papiro e o pergaminho eram chamados de “sefer” (livro) ou “gillâ” (rolo).

O Pentateuco, por exemplo, estava contido num só rolo de pergaminho. Usava-se apenas um lado do pergaminho para escrever. O leitor teria que desenrolá-lo para fazer a leitura, e enrolá-lo para ser guardado. Paulo usava seus escritos em “pergaminhos” indicando seus livros, dizendo: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, especialmente os pergaminhos” (II Tm 4. 13).

c. O “códice” ou “codex” (lat.) começou a aparecer no Império Romano no 2º século d.C., no início do Cristianismo. Entre os séculos IV e V, o Codex tornou-se popular entre os cristãos. Cada folha (fólio) podia ser escrito de ambos o lado. Num Códice, a Bíblia (A.T) podia ser escrita num único volume. 

d. Os colofões. São dados referentes aos manuscritos. Ex: Nome de quem o escreveu; onde foi produzido; quando foi concluído; as fontes bibliográficas e também quem o encomendou. 

            d. 1. Esses códices ainda podiam conter: A data de sua conclusão; quando se deu a criação do mundo de acordo com a era judaica (3760 a. C.).

d. 2. Não eram usados nas Sinagogas. Só o Rolo tinha finalidades litúrgicas. 

1. 4. 1. O autógrafo era o original escrito por aquele que recebeu a revelação divina. Não existe mais. Só cópia das cópias. A cópia mais antiga data de 900 a 1.000 d. C..           

1. 4. 2. A Bíblia Hebraica são as Escrituras centrais do judaísmo (cópia dos originais). A Torá ou o Pentateuco é o mais importante de todos os grupos de livros.  

1. 5. O Pentateuco Samaritano

O primeiro é a Bíblia Hebraica. O segundo era desconhecido pelos ocidentais até 1616, quando foi descoberto em Damasco na Síria. Não é uma versão do texto bíblico hebraico, mas, um dos tipos textuais existentes no período pós-exílio, como o era também o tipo hebraico da Septuaginta e do tipo hebraico do Texto Massorético.

O Pentateuco Samaritano surgiu entre o III e o IV século a.C. e possui seu próprio comentário de maneira independente em relação ao “TM”. 

1. 5. 1. Sua história está ligada à comunidade samaritana, Seu centro religioso é a cidade de Siquém (Nablus) na antiga região de Samaria na Galiléia. Hoje eles têm um centro de culto também em Holon (Israel). Eles possuem suas próprias tradições e seu modo de interpretar as leis contidas no Pentateuco Samaritano – sua única Bíblia.

a. Seu lugar de culto. Nesse Pentateuco, em Êxodo 20: 17 há um mandamento ordenando construir um templo no Monte Gerizim. Isso é observado também em outras passagens.

            b. Eruditos escrevem que, duas passagens em o Novo Testamento concordam com o Pentateuco Samaritano (At 7. 4, 32 e Hb 9. 3).

            c. Ele contém mais adições e tradições rabínicas em seu conjunto do que o “TM”. Mesmo assim ele concorda mais com o “TM” do que com a LXX.

d. Os copistas samaritanos não eram tão cuidadosos em produzir cópias do seu texto, quanto aquele adotado pelos copistas judeus. Em épocas posteriores, tornaram-se mais criteriosos. 

1. 6. A Septuaginta

É uma versão da Bíblia Hebraica para o grego. Essa tradução foi à fonte de inspiração para os escritores do Novo Testamento e para os escritos dos Pais da Igreja.

            a. Foi traduzida para várias comunidades cristãs espalhadas pelo Império Romano que não falavam o grego ou latim, mas que tinham sua própria língua.

            b. O uso da LXX pelos judeus durou até o início do 2º século da Era Cristã, quando o judaísmo sentiu a necessidade de novas traduções feitas a partir do texto Hebraico, mas refletindo os conceitos do judaísmo rabínico de então.

c. Para o Cristianismo, a LXX, tornou-se a Bíblia por excelência e seu impacto no Cristianismo nos primeiros séculos foi mui proveitoso. Foi nela que os cristãos encontraram respaldo para suas afirmações e doutrinas. 

1. 6. 1. Sua tradução. Deu-se no III século a.C., em Alexandria no Egito. Ela foi e é importante para a crítica bíblica textual literária, para a antiga exegese, para a terminologia do Novo Testamento e para a antiga tradição histórica do texto bíblico.

            a. O termo “Septuaginta” é do latim (setenta). Tal designação tem origem em um escrito conhecido como Carta de Aristéias, composta por volta de 130 a.C. e que pretende narrar a origem dessa antiga tradição. A carta diz que o rei do Egito, Ptolomeu II Filadelfo (285-247), desejando ter uma cópia da Torá traduzida para o grego, enviou uma delegação e o próprio Aristéias ao sacerdote Eleazar em Jerusalém, pedindo-lhe que enviasse uma cópia da Torá e um grupo de sábios para traduzi-la. Foram enviados 72 judeus versados no hebraico e no grego (6 de cada tribo) para Alexandria. Os tradutores, em grupos de seis, foram colocados na ilha de Faros, em frente à cidade, em celas separadas. 72 dias depois a obra estava concluída e todas as traduções idênticas.           

b. Na verdade, o relato de Aristéias era elevar e legitimar o valor da LXX perante os judeus de fala grega que viviam em Alexandria, como também de locais fora da Palestina.

c. Com o passar do tempo outros autores, tanto judeus como cristãos, acrescentou dados a história de sua origem. Como também escritores como Aristóbulo, Filon de Alexandria, Flávio Josefo, fontes rabínicas e cristãs colaboraram para que a imagem e autoridade da LXX fosse reconhecida para aqueles que desejavam utilizar a Bíblia Hebraica numa versão grega. 

d. Filon de Alexandria (25 a. C. – 40 d. C.) e Flávio Josefo (38-100 d. C.) afirmaram que ela era uma tradução inspirada e de alta qualidade.

Os Pais da Igreja normalmente aceitavam as opiniões de Filon e de Josefo, entre eles: Justino, o Mártir, Clemente de Alexandria, Irineu de Lion, Agostinho de Hipona etc.

e. Embora a carta de Aristéias se refira apenas ao Pentateuco, a lenda foi aplicada a todos livros da LXX, engoblando também os apócrifos no Cânon. O Pentateuco deve ter sido traduzido no 3º século a. C. e os outros livros foram traduzidos aos poucos, por outras pessoas, às vezes até sem conhecer bem o hebraico ou o grego. 

f. Pensa-se que entre a tradução do Pentateuco, a confecção dos demais livros e suas revisões passaram-se uns 400 anos. Sua sequência difere da Bíblia Hebraica.

g. Nos dois primeiros séculos houve várias recensões (correções) na LXX. Entre muitos, temos as correções de Hesíquio de Alexandria (311 d.C.); Luciano de Antioquia (250-311/312 d.C.) e Orígenes (185-253/254). Este colocou seis versões para corrigir e se chegar ao texto mais correto da Septuaginta (Uma hebraica e cinco gregas – A Héxapla).

    O texto  hebraicoconsonotal

 

     O texto   Hebraico transliterado     

   em letras

     gregas

    A versão   grega de    Áquila           

 

 

A versão

grega de

Símaco

 

    O texto    grego  revisado

  da LXX

 

    A versão    grega de  Teodocião

h. Em muitas passagens, a LXX em vez de traduzir simplesmente o texto hebraico faz uma interpretação. Exemplos:

h. 1. Diz o TM de Isaías 7: 14: “Eis que a jovem concebeu e dá à luz um filho e chama o seu nome “Imanu’el”./ A LXX diz: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de “Emanuel”.

h. 2. O Salmo 39. 7-8 da LXX  (Salmo 40. 7-8, no TM) tem uma variação no texto.

No TM: “Sacrifício e oferenda não desejaste, ouvidos abristes para mim, holocausto e expiação não requereste. Então (eu) disse: eis que vim no rolo do livro escrito sobre mim. Fazer o teu querer, meu Deus, desejei, e teu ensino está no meio de minhas entranhas”

            Na LXX: “Não quiseste sacrifícios e oblação, mas plasmaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradaram. Então eu disse: Eis-me aqui, pois é de mim que está escrito no rolo do livro: eu vim, ó meu Deus, para fazer a tua vontade.

            Observação. Na nossa Bíblia está a tradução do TM — (Sl 40. 6-8)

No Novo Testamento está o texto tirado da LXX ——– (Hb 10. 6-7).

O escritor aos Hebreus ao traduzir uma frase colocando outras palavras que não eram aquelas do TM, que é o hebraico oficial, causou uma disputa acirrada sobre esta frase. Segundo os eruditos, ambas as traduções são bem antigas e perfeitamente genuínas 

Então porque a diferença?

i. A explicação é que os tradutores da LXX grega parafrasearam esta passagem do Salmo 40 e este tipo de paráfrase era conhecido como targumitizar, muito comum na tradução dos escritos bíblicos.

j. A paráfrase não nega o significado do original; ela apenas expõe o sentido do texto em expressões idiomáticas ou conceitos mais familiares à audiência da época.

l. Este é o caso da frase: “ouvidos abristes para mim, ou perfuraste-me as orelhas” 

m. A frase está relacionada com a submissão completa e voluntária de alguém a outra pessoas, expressa em Êxodo 21: 2-6. Ali se discute o caso de um escravo que por amor ao seu senhor, e voluntariamente quer ser escravo durante toda a vida.

n. Assim, o abrir ou perfurar as orelhas de alguém era um sinal e um símbolo da apresentação de si mesmo (voluntária) como escravo perpétuo.

o. Essa foi a idéia interpretada e parafraseada na Septuaginta pelos estudiosos do hebraico com “preparaste um corpo para mim”, porque essa era a idéia grega que correspondia a total submissão. E com tal expressão os leitores gregos da LXX estariam mais familiarizados. 

1. 7. A Vetus Latina (Antiga [versão] Latina)

É traduzida da LXX, surgida em torno do II e III séculos d. C., muito antes das suas revisões (talvez em 150-180 d. C.).

            a. Com a conquista dos romanos, o processo de latinização do Cristianismo foi aos poucos tomando conta da vida do povo. Isso motivou o surgimento de literaturas cristãs, que começou no norte da África com Tertuliano e Cipriano, ambos de Cartago.

            b. Essa latinização foi completada na época do Papa Dâmaso I (366-384), onde a Vetus Latina foi de grande utilidade para isso.

            c. Foi escrita na linguagem do povo. Mesmo com o aparecimento da Vulgata, a Vetus Latina continuou a ser usada até o século VIII, que foi sendo substituída aos poucos pela Vulgata, por ser esta uma melhor tradução. 

1. 8. A Vulgata Latina

Versão vulgar, comum. Seu tradutor foi Sofronius Eusebious Hieronymus (Jerônimo) (347-419/420). Conhecia o hebraico, o grego, do latim, o aramaico e o síriaco.

            a. Foi secretário do Papa Dâmaso I, de 382 a 384. Que o incumbiu de revisar a Vetus Latina com base na LXX, já revisada. Quando Dâmaso morreu em 384, no ano seguinte Jerônimo foi morar em Belém, na Palestina, onde viveu até morrer.

            b Após a revisão da Vetus Latina e de uma tradução baseada na Héxapla de Orígenes, ele decidiu fazer uma nova tradução do Antigo Testamento, agora baseado no texto hebraico, que ele afirmava ter maior autoridade que a LXX. 

c. Entre os anos 390 a 405 ele fez toda a tradução daquela que seria chamada “a Vulgata”. Essa Bíblia a princípio não foi aceita, mas aos poucos começou a tomar o lugar da Vetus Latina. Até que por volta do século VII em diante ela foi aceita de vez. Entre os séculos VIII e IX a Vetus Latina parou de circular.

d. A Vulgata contém alguns livros apócrifos. São eles: Tobias; Judite; Sabedoria; Eclesiástico; Baruque; I e II Macabeus; acréscimos aos livros de Ester (10. 4; 16: 24) e Daniel 3: 24-90 e caps. 13 e 14.

Hoje há cerca de 800 manuscritos da Vulgata. Seu texto foi impresso muitas vezes. Como também foi a primeira obra a ser impressa por Gutenberg, entre 1450-1452 em Mainz, Alemanha. 

1. 9. A Bíblia traduzida para a Língua Portuguesa

Após a Vulgata Latina, uns mil anos se passaram até surgirem outras traduções.  Em certo sentido foi Lutero, o reformador protestante que deu maior ênfase à tradução da Bíblia para a língua comum, ao traduzir as Escrituras para a língua alemã, no século dezesseis.

            As primeiras experiências de tradução da Bíblia para a Língua Portuguesa se deram ainda na Idade Média, seu primeiro trabalho constou de 20 capítulos do livro de Gênesis. Houve outras traduções de pequenas porções da Bíblia, porém, sem grande importância.           

1. 10. A tradução de Almeida

Nascido em Portugal em 1628, João Ferreira de Almeida ainda moço, foi para a Holanda e no caminho encontrou um folheto intitulado “Diferença da Cristandade da Igreja Reformada e da Romana”, através do qual se converteu ao Evangelho, fazendo sua profissão de fé em 1642. Sentindo a necessidade de o povo português ler a Bíblia, iniciou uma tradução usando os originais do hebraico e do grego. Após traduzir o Novo Testamento deu início a tradução do Antigo Testamento, que não chegou a concluir, parando no profeta Ezequiel. Sessenta e dois anos após sua morte, e completada a tradução, a Bíblia de Almeida foi impressa.  

1. 11. A tradução de Figueiredo

A tradução de Figueiredo para a Língua Portuguesa foi a Bíblia do padre Antônio Pereira de Figueiredo, que nasceu em Mação, Portugal em 1725. Seu trabalho de tradução durou dezoito anos. A edição foi no ano de 1819, impressa em Lisboa e dedicada ao príncipe do Brasil, D. João.

            Por ter usado a Vulgata Latina de Jerônimo como fonte, a tradução é considerada fraca. 

1. 12. A Bíblia de Jerusalém

Nos fins dos anos 50, a Escola Bíblica de Jerusalém, situada na França, publicou uma tradução da Bíblia de modo bastante criterioso, cuja base está nos melhores manuscritos hebraicos e gregos. A Bíblia de Jerusalém tem sido muito procurada, tanto por católicos quanto por protestantes, devido a grande aceitação que teve no Brasil. Ela é umas das chamadas “Bíblias Anotadas”, isto é, contêm introdução aos livros, notas de rodapé, referências nas margens etc. 

1. 13. A Bíblia na linguagem de hoje

É uma obra empreendida pela Sociedade Bíblica do Brasil. O Novo Testamento surgiu em 1973; a Bíblia completa em 1988.  

1. 14. A Bíblia Pastoral

Outra “Bíblia na Linguagem de Hoje” é a Pastoral – uma versão publicada pela Igreja Católica Romana em 1990. O interesse dos editores é colocar a mensagem da Bíblia ao alcance do leitor comum, sem os aspectos clássicos da língua.  

CAPÍTULO II

CULTURA E GEOGRAFIA DO MUNDO BÍBLICO

2. 1. A Mesopotâmia e o Egito

Por volta do ano 3.000 a.C. o Oriente Médio conheceu dois grandes centros de civilizações, cada qual com sua cultura própria. O primeiro encontrava-se na Mesopotâmia, terra dos rios Tigre e Eufrates (o Crescente Fértil). O segundo era o Egito, uma das civilizações mais avançadas do mundo antigo.

            Gênesis nos revela a história que tem origem no Éden, cujo local seria em algum lugar da Mesopotâmia. É aí, dessa região que surge Abraão, o pai dos hebreus.

O relato de Gênesis 12 coloca-o, partindo de Ur dos Caldeus, após Deus ordená-lo para sair daquela terra, do meio dos seus parentes em busca de uma terra especial.

A época de Abraão o mundo bíblico era muito próspero, situado nos vales fluviais do Egito e Mesopotâmia, região onde havia cidades e pequenos reinos. A vida nômade era comum. Essas tribos mudavam-se constantemente em busca de pastagens para seus rebanhos.

            Em Canaã, Abraão passou a conviver com seus habitantes. Mas nesse primeiro momento, Abraão não pode estabelecer sua descendência ali.

            Numa ocasião, os bisnetos de Abraão foram ao Egito para comprarem cereais. Nessa época, José, um dos filhos de Jacó, que tinha sido vendido como escravo por seus irmãos era governador no Egito. Assim toda família de Jacó, neto de Abraão, ali se estabeleceu.

Daí seguiu-se com a escravidão dos seus descendentes, e posteriormente o livramento de Deus através de Moisés, a fim de que os israelitas conquistassem a Terra Prometida.            

2. 2. Considerações sobre a terra de Israel

            O cenário principal da história bíblica é Israel, ou Canaã. O nome Israel provém do patriarca Jacó, de quem Deus teria mudado o nome para Israel (que significa “o que luta com Deus”). Mas este povo recebeu vários nomes em sua história e é significativo conhecê-los.

            a. Canaã. É seu nome mais antigo, e significa “Terra de Púrpura”. Alguns estudiosos dizem que este nome está ligado a um dos filhos de Noé – Canaã. Daí aquela faixa de terra ser conhecida como o “território dos cananeus”, sendo habitada também por outros povos.

            b. Terra dos Amorreus. Os amorreus eram descendentes dos cananeus, e habitavam Canaã. Daí a região também ser conhecida como Terra dos Amorreus.

            c. Judéia. Nome comum após a volta do cativeiro babilônico, visto que os exilados eram do reino de Judá. Daí o nome “judeu”, usado na Babilônia, para todos os israelitas.

            d. Terra Prometida. O nome “Terra Prometida” liga-se à promessa feita a Abraão de que ele seria pai de uma grande nação e herdaria a terra de Canaã (Gn 12. 1-4).

            e. Palestina. Depois da morte de Jesus, no ano 135, após os judeus serem derrotados pela segunda vez por Roma, Israel recebeu o nome de Palestina. Foi o imperador romano Adriano que assim chamou o país. O termo ‘Palestina’ significa “Terra dos Filisteus” – um nome que não lembraria que os habitantes daquela região eram os israelitas.

            f. Terra Santa. O profeta Zacarias foi o primeiro a designar Israel como sendo a “Terra Santa” (Zc. 2: 12). Muitos séculos depois, os cristãos da Idade Média começaram a chamar Israel por esse nome. Talvez por ter sido o cenário do nascimento e a vida de Jesus Cristo 

2. 3. Principais cidades de Israel nos tempos bíblicos

            Algumas cidades de Israel se destacam na história bíblica. Observe as principais delas, com destaque para Jerusalém, relevante, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. 

2. 3. 1.  Jerusalém. Significa “cidade de paz”. Cercada de muros desde os tempos mais antigos, daí ser identificada também como “habitação segura”. Mas o privilégio que Jerusalém tem não se deve à revelação de Deus. Na mentalidade judaica e cristã, Jerusalém tornou-se o modelo da cidade celestial (Ap 21). Ela também recebeu vários nomes em sua história:

            a. Urusalim. É talvez o mais antigo nome de Jerusalém. Algumas inscrições encontradas pelos arqueólogos, datam esta cidade, de mais de 1400 anos antes de Cristo.

            b. Salém. Na Bíblia, é o nome mais antigo de Jerusalém (conforme Gênesis 14. 18) e pode indicar que a cidade foi devotada a uma divindade semítica de nome Shalém.

            c. Jebus. Era conhecida na época dos Juízes como “Jebus”, isto é, o ‘território dos jebuseus’ (Jz 19. 10). Os jebuseus permaneceram em seu território, após a conquista de Canaã, por cerca de 200 anos. Davi a tomou e passou a chamá-la Jerusalém, tornando-a capital do reino.

            d. Sião. Também é uma indicação para Jerusalém, embora seja o nome de um dos montes da cidade onde o Templo foi construído. Jerusalém era chamada Sião, cidade de Deus.

            e. Cidade de Davi. É um dos nomes simbólicos na sua história. Davi foi o mais famoso rei da história judaica, e emprestou seu nome à cidade, por ter sido ele o conquistador do território. Fez isso com seus próprios soldados e pagando-os do seu próprio bolso.

            f. Aélia Capitolina. Foi o imperador ,Adriano (135 d.C.), que deu esse nome a Jerusalém, após reconstruí-la nos moldes romanos. Tal nome, ele deu em honra a si mesmo (seu primeiro nome era Aelius) e ao deus Júpiter Capitolino (divindade maior dos romanos).

            g. El-Kuds. É o nome árabe que identifica Jerusalém. Quando os árabes a conquistaram, na Idade Média assim a chamaram, isto é, “A Santa”. 

2. 3. 2. Jericó é a cidade mais antiga de Israel, e uma das mais antigas do mundo. Nos trabalhos de escavações realizados em Jericó, os arqueólogos encontraram vestígios de vida humana que datam da Idade da Pedra. No tempo do rei Acabe (I Rs 16. 34) a cidade foi reedificada, e tornou-se muito importante. A moderna cidade está a uma distância de 1600 mts. da antiga Jericó. 

2. 3. 3. Belém. A cidade de Belém fica próxima a Jerusalém, nas montanhas de Judá. Belém significa “casa de pão”. Nela nasceu o rei Davi, e o seu descendente, Jesus Cristo. 

2. 3. 4. Samaria.  Fundada por volta de920 a.C. por Onri, rei de Israel, ela tornou-se uma das cidades mais importantes do país. Serviu como capital do Reino do Norte (quando Israel se dividiu em dois reinos) por 200 anos, sendo destruída pelos assírios no ano de722 a.C..

            No segundo século antes de Cristo, Samaria teve o seu resplendor restaurado, mas em seguida foi arrasada novamente. Herodes, o Grande, a reconstruiu algum tempo antes de Jesus nascer, dando-lhe o nome grego de Sebaste em honra ao imperador César que acabara de receber o título de augusto (em grego, sebastós, de onde se deriva o nome Sebastião). 

2. 3. 5. Nazaré. Jesus e sua família viveram nesta cidade. Daí ele ser conhecido como “Jesus de Nazaré”. Seus habitantes eram desprezados pelos judeus da capital Jerusalém (Jo 1. 46). A moderna Nazaré é uma das cidades de Israel que possui o maior número de cristãos. 

2. 3. 6. Cafarnaum. Cidade às margens do Mar da Galiléia que funcionava como posto militar na época do Novo Testamento (Mt 5. 13), e centro de recolhimento de impostos (Mt 9. 9-13). Ao iniciar Seu ministério após mudar-se de Nazaré, Jesus foi morar nesta cidade (Mt 4. 12-13). 

2. 4. A vida social e religiosa hebraica

A vida social e religiosa hebraica está relacionada diretamente a cultura e ao meio ambiente oriental. Veremos um resumo de alguns aspectos da vida judaica, envolvendo tanto a época do Antigo quanto do Novo Testamento. 

2. 4. 1. O levirato. Os judeus tinham em alto valor a geração de um herdeiro masculino com vistas à preservação da descendência (Êx 15. 17). Por essa razão a Lei do Levirato, instituída por Moisés (Dt 25. 5-10) consistia no casamento de uma viúva com o irmão ou parente mais próximo do falecido marido, a fim de suscitar descendente, caso não tivesse nascido um homem no primeiro casamento. Se o irmão do falecido ou parente mais próximo se recusasse casar, era alvo de críticas do povo. Para entender melhor a Lei do Levirato veja a história de Rute (cf Rt. 4. 7). Da união de Rute e Boaz, nasceu Obede, pai de Jessé e avô de Davi, cujo descendente é Jesus.     

2. 4. 2. O casamento. O casamento para os hebreus tinha origem divina e era de importância básica para a vida individual, social e nacional (Gn 1. 28; 2. 18). Mas, a poligamia era normal no Antigo Testamento, embora não haja evidência de que os líderes religiosos a incentivassem.

            a. A supremacia masculina sempre esteve presente no mundo cultural do Oriente. Já no Novo Testamento, a situação normal era a monogamia, porém, alguns ricos eram polígamos; outros também a praticavam, quando a mulher era estéril ou só tivesse gerado filhas.

            b. O pai era responsável em encontrar uma esposa ideal para o filho. Tendo encontrado, era feito um contrato de casamento, geralmente por ele mesmo ou por alguém responsável.

            c. O contrato estava voltado para o destino dos bens e dos acertos quanto ao dote que o rapaz pagaria ao pai da noiva (em algumas épocas 30 a 50 siclos de prata).

d. O noivado era semelhante ao casamento, pois só poderia ser dissolvido com o divórcio ou por infidelidade. Mas não havia contato sexual antes do casamento.           

2. 4. 3. O divórcio. No Antigo Testamento, o divórcio era permitido (Dt 25), os profetas, porém repudiavam essa prática. Contudo, somente o homem possuía o direito ao divórcio. E quase sempre a mulher repudiada voltava a viver na casa do seu pai.

            No Novo Testamento, o tema aparece com uma polêmica levantada por líderes religiosos, indagando a Jesus sobre a legalidade ou não do divórcio. Ao ler-se Mateus 19. 3-9 vê-se que Jesus proibiu aquela prática, permitindo-o apenas em caso de infidelidade. 

2. 4. 4. Os filhos. Os filhos (em especial, os homens) eram considerados dádivas de Deus. A herança era dividida somente com os homens, exceto na falta destes. O primogênito recebia porção dobrada dos bens do pai. Na morte do pai, o primogênito recebia a direção da casa.

            Cinco responsabilidades básicas o pai tinha para com seu filho, na sociedade judaica:

a. Ensinar-lhe a Lei de Deus;

b. circundá-lo;

c. redimi-lo de Deus (ou pagar um resgate), caso fosse primogênito;

d. achar-lhe uma boa esposa,

e. e ensinar-lhe uma profissão.

            As filhas, todavia, aprendiam com a mãe e eram educadas para obedecer, primeiro a seu pai depois a seu marido.

2. 4. 5. A mulher na sociedade. Em princípio, a mulher não participava da vida social. Na cidade e entre pessoas importantes, a mulher só podia aparecer usando um véu. No campo religioso, as mulheres estavam sujeitas a todas as proibições da Lei. Elas não podiam impor as mãos sobre os animais sacrificados; seu testemunho também quase nunca tinha valor.

            Alguns mestres em Israel entendiam que era preferível queimar a Torá (a Lei de Deus) do que ensiná-la a uma mulher. Assim, no horizonte bíblico, as mulheres eram menos importantes do que os homens. Os meninos cresciam e aprendiam a tomar decisões. As meninas eram educadas para casar e ter filhos. Se fosse estéril, era considerada geralmente amaldiçoada. Enfim, a principal ocupação da mulher era lavar-lhe as mãos, os pés e o rosto (do marido).

 CAPÍTULO III

O CÂNON DAS ESCRITURAS SAGRADAS

            Os livros da Bíblia, de modo geral, passaram por três etapas em sua formação desde sua produção até serem reconhecidas como Escritura Sagrada. São elas:

            a. Transmissão oral. Antes de ser escrita, a verdade bíblica circulava de modo oral (verbal). No Oriente, esse era um método comum.

            No Pentateuco muitas leis circularam primeiramente no processo oral para depois serem fixadas (Dt 6. 6-7). Nesse particular estão também os Evangelhos.

            b. Escrita do livro. Na segunda etapa, a tradição ou a pregação é exarada (gravada) por escrito, tendo os escritores consciência de estarem sendo usados por Deus.

            c. Canonização.  Nesta última fase, o texto é reconhecido como literatura inspirada por Deus e normativa para a fé. 

3. 1. O significado da palavra “Cânon”

O termo “Cânon” é de origem grega e significa “regra ou padrão”.

a. No hebraico o equivalente é “qaneh”, designando o bastão usado para trançar cestos.

b. A língua grega acentua o sentido figurado da palavra “kanon”, designando vara, o nível, o esquadro, ou o braço da balança, além da meta a ser atingida.

c. O Cânon bíblico é “o conjunto de livros inspirados que compõem as Escrituras Sagrada”. 

3. 2. O Cânon para o Antigo Testamento

            a. Os judeus entendiam que os profetas  falavam em nome de Deus por serem autorizados pelo Espírito. Assim, após o período de ouro dos profetas, nenhum outro livro foi reconhecido pelos judeus como inspirados. Para eles a inspiração havia cessado. Esta é a razão pela qual os livros do período interbíblico não foram aceitos como divinamente inspirados.

            b. Um outro critério de seleção natural dos livros do Antigo Testamento, foi a língua. Somente os livros escritos em hebraico foram aceitos pelos judeus da Palestina. 

3. 2. 1. O Cânon Palestino. A canonização dos livros da Bíblia levou séculos para ficar completo.

Veremos os informes que o próprio Antigo Testamento apresenta no que respeita à coleção dos livros até o Cativeiro. Ao fazê-lo, seguiremos a ordem dos livros da Bíblia Hebraica: 

a. A lei. Conforme se estende por Êxodo 24. 4-7, Moisés formou “o Livro da Aliança” e o povo reconheceu sua autoridade divina; em Deuteronômio 31. 9-13, 24ss, temos a informação de que Moisés anotou “esta lei”, isto é, os pontos essenciais do livro de Deuteronômio, e providenciou para assegurar que sua autoridade divina fosse reconhecida em futuro remoto.

Não sabemos com certeza quando o Pentateuco foi completado, mas podemos supor que desde o principio era dotado de grande autoridade. 

b. Os profetas. Por causa de sua própria natureza, os escritos dos ‘profetas posteriores’ (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze “profetas menores”) foram considerados autoritativos desde o início. Suas predições sobre desastre foram cumpridas no Exílio, contribuindo para a aceitação de sua autoridade. Vários profetas repreenderam a Israel por não ter ouvido seus predecessores (cf Sf 1. 4 e ss.; Os 6. 5 etc.). Lemos em Isaías 34. 15 sobre o rolo no qual as profecias de Isaías foram anotadas como ‘o livro do Senhor’. Daniel 9. 2 fala sobre ‘os livros’, expressão esta que significava uma coleção de escritos proféticos, incluídos, entre outras, as profecias de Jeremias.    Pelo contexto torna-se óbvio que é atribuída autoridade divina a esses escritos proféticos.

c. Os escritos. Nesta terceira porção há livros de caráter diversos. Há pouco conhecimento acerca do motivo que levou alguns dos livros a serem considerados como escritos sagrados.

3. 2. 2. O Cânon alexandrino do Antigo Testamento

a. Necessidade cultural. A razão dessa tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego foi que os judeus que tinham voltado do exílio babilônico após três gerações, haviam se esquecido do hebraico. Muitos deles falavam o aramaico, mas, desde que a região da Palestina passara a fazer parte do império dividido de Alexandre, o Grande, os judeus aprenderam a falar o grego, que se tornara a língua franca daquela circunvizinhança.

b. A Septuaginta. O Cânon Alexandrino a “LXX”, usado pelo judaísmo da Dispersão, incluía os trinta e nove livros do Antigo Testamento e os conhecidos como livros apócrifos 

c. O fechamento do Cânon do Antigo Testamento. No Sínodo de Jâmnia (90 d.C.)., foram levadas a efeito certas discussões concernentes a alguns dos livros do Antigo Testamento, mas discussões similares foram igualmente feitas tanto antes como depois desse período. Havia muita controvérsia se os livros de Ester, Eclesiastes e Cantares eram inspirados – Lutero, por exemplo, séculos depois achou difícil considerar o livro de Ester como canônico.

Na verdade, esses livros eram tidos como canônicos. Mas para alguns, e particularmente para certos rabinos, levantou-se a questão se era correto aceitarem-nos como canônicos.

Este concílio, então, serviu apenas para oficialização de quais livros deveriam compor a lista dos livros Inspirados, o que resultou no fechamento do Cânon Palestino, embora toda a literatura já tivesse sido sancionada pelo uso popular. Esse Cânon inclusive foi adotado pelos Reformadores, composto dos trinta e nove livros que hoje conhecemos. 

3. 3. O Cânon para o Novo Testamento

            Os escritores do Novo Testamento, não tiveram a intenção de registrarem os seus escritos no sentido de serem eles incorporados ao A. T.. As epístolas são escritos ocasionais, visando a solução de problemas imediatos das primeiras comunidades cristãs.

Houve pelo menos três razões que motivaram o surgimento dos Evangelhos:

a. A morte das testemunhas oculares, isto é, os seguidores imediatos de Jesus estavam desaparecendo do cenário humano. E logo chegaria o momento em que ninguém poderia afirmar ter visto Jesus face a face.

b. A possibilidade de divergências. Com o passar do tempo, naturalmente surgiriam divergências acerca do significado da mensagem de Jesus e do significado dEle mesmo para a Igreja. Os primeiros cristãos estabeleceram um limite que pode ser chamado de ortodoxia.

c. A necessidade das comunidades. As comunidades cristãs sentiram necessidade de registros objetivos para a liturgia, que completassem o testemunho oral. Os evangelhos escritos contribuíram para esse fim. 

3. 3. 1. Influências na formação de um novo Cânon. Em o Novo Testamento encontramos um grande número de citações e alusões tomadas do Antigo Testamento. Pois os escritores do Novo Testamento aceitaram a idéia de que Jesus era o Messias predito pelos antigos profetas.

O cristianismo, ao usar tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento para formar a “Bíblia”, fez uma ligação entre as antigas e as novas revelações divinas. Portanto, o Antigo Testamento exerceu influência na formação de um “novo” Testamento, tanto no caráter como nas idéias dessa nova coleção de livros sagrados. 

a. A vida e as palavras de Jesus Cristo. Nunca homem algum falou e viveu como Jesus. Considerando Sua vida e Suas palavras, achamos não somente uma explicação para a existência do Novo Testamento, mas também entendemos que seria impossível que, depois da vida de um homem assim, não tivessem sido escritos muitos livros acerca Dele.

b. A influência da religião cristã. O Cristianismo teve seu berço no judaísmo, mas desde cedo, os novos elementos dos ensinos de Cristo e dos Apóstolos exerciam grande influência sobre os cristãos. Dificilmente um judeu no judaísmo aceitaria os ensinamentos de Jesus sobre a lei das Cerimônias, sobre divórcio etc., porém, o mais intragável seria aceitar as declarações de Cristo sobre Sua pessoa, ou seja, Sua divindade. O Cristianismo aceitou tudo isso. 

c. Os Apóstolos. As epístolas de Paulo e as dos demais escritores sagrados apresentam matéria que tanto aquele como estes diziam ser de inspiração divina. Após o falecimento dos Apóstolos a influência dos seus escritos aumentou, pelo que foi natural que muitos livros fossem escritos em nome deles, e também que seus escritos autênticos tivessem sido recebidos pela Igreja como Escrituras inspiradas dotadas de autoridades semelhantemente as do Velho Testamento.

O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia com os hereges descrentes. Vejamos quais foram. 

3. 3. 2. Critério da canonização do Novo Testamento. O cânon do Novo Testamento foi “fechado” pelos líderes da Igreja primitiva no ano 380. O critério para a seleção dos livros se dera de modo natural pelas Igrejas cristãs. Foram eles:

a. A apostolocidade. O livro deveria proceder das mãos de um apóstolo ou alguém ligado diretamente a ele. Quanto aos evangelhos, estes deveriam manter o padrão doutrinário apostólico no tocante à encarnação de Jesus Cristo, e ser um evangelho completo.

b. O uso e circulação do livro. Porém, quando não se podia determinar a autenticidade apostólica ou sua origem, o critério da circulação tornou-se importante.

c. A ortodoxia. A palavra ortodoxia está ligada ao padrão doutrinário comum. No Novo Testamento, alguns escritos já repudiavam as falsas doutrinas, preservando a ortodoxia, ou “o padrão das sãs palavras” (cf. 2ª Tm. 4. 13).

d. A autoridade em matéria de fé.  Os cristãos, antes de reunirem os quatro evangelhos, distinguiram estes entre os livros com autoridade divina (inspirados) em relação a outros que serviam apenas como instrução.

e. O caráter concreto do livro. Muito embora a matéria em si não contrariasse os padrões ortodoxos da Igreja, a ficção tornava o escrito inaceitável. 

f. A autoridade diferenciadora. Isto quer dizer que bem cedo antes mesmos dos livros fossem mencionados juntos, eles já estavam sendo colocados no mesmo pé de igualdade com os do Antigo Testamento.

g. A leitura em público. Nenhum livro poderia ser admitido para leitura em público na Igreja, se não possuíssem características diferenciadoras conforme expostas neste parágrafo.   

3. 4. Os livros apócrifos

O termo “apócrifo” significa literalmente, “escondido”, “oculto”, isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso, o termo significa “não genuíno” ou “espúrio”, desde sua aplicação por Jerônimo.

            Os apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, ente o Antigo e o Novo Testamento, numa época em que cessara por completo a revelação divina.

            O general prisioneiro judeu e escritor, Flávio Josefo os rejeitou totalmente, como também nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do Cânon hebraico.

Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela Igreja Primitiva.

Jerônimo, Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor para os cristãos primitivos, opuseram-se a eles na qualidade de livros inspirados. 

3. 4. 1. Livros apócrifos do Antigo Testamento. Como já vimos, a Septuaginta foi o resultado da tradução do Cânon Palestino para o grego, que por sua vez incluiu os livros apócrifos na sua tradução. Por esse motivo, os cristãos que falavam o grego, usavam esses livros, juntamente com o Antigo Testamento canônico. De modo geral, podemos dizer que os livros apócrifos eram tidos em alta estima, usualmente considerados canônicos pela maioria dos cristãos, até o IV século. A igreja oriental até o fim do período Patrístico e a igreja ocidental até a Reforma, aceitavam-nos de modo geral, em igual nível de importância ao resto do Antigo Testamento. Porém, na Reforma Protestante toda a tradição reformada excluiu os livros apócrifos da Bíblia. Em 1548, no Concilio de Trento a Igreja Católica reconheceu os livros apócrifos como canônicos. Tal decisão deixou apenas de lado I e II Esdras e a Oração de Manassés. Essa é a posição atual da Igreja Católica.    

3. 4. 2. Listas dos Apócrifos na Septuaginta

1. O primeiro e o segundo livro de Esdras.

2. Tobias.

3. Judite.

4. Adições ao livro de Ester.

5. A Sabedoria de Salomão.

6. Eclesiástico ou A Sabedoria de Jesus o Filho de Siraque.

7. Baruque.

8. A Carta de Jeremias.

9. A Oração de Azarias e o Canto dos Três Jovens.

10. Susana.

11. Bel e o Dragão.

12. A Oração de Manassés.

13. O Primeiro e o segundo livro dos Macabeus. 

3. 4. 3. Listas dos apócrifos e das adições da Bíblia Católica Romana

1. I e II Macabeus.

2. Tobias.

3. Judite.

4. Sabedoria de Salomão.

5. Eclesiástico.

6. Baruque.

7. Adições ao Livro de Ester.

8. A Oração de Azarias e o Canto dos Três Jovens (3º capítulo de Daniel a partir do v. 23).

9. Susana (13º capítulo de Daniel).

10. Bel e o Dragão (14º capítulo de Daniel).

11. A Carta de Jeremias (6º capítulo de Baruque).

3. 4. 4. Resumo dos livros apócrifos

a. I Macabeus (100 a.C.) – Descreve a história de 3 irmãos da família dos ‘Macabeus”, que no chamado período interbíblico (400 a.C. 30 a.D) lutaram contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.  É um relato da guerra da independência de Jerusalém pelos Macabeus desde o primeiro dia. Vai do ano 175 até 166 a.C. 

b. II Macabeus (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: a oração pelos mortos – 12. 44 – 46, culto e missa pelos mortos – 12. 43, o próprio autor não se julga inspirado -15. 38-40; 2. 25-27; intercessão pelos santos – 7. 28 e 15. 14. O livro fala sobre a obra, milagres, lendas sagradas tais como o martírio dos sete irmãos macabeus. O livro apresenta:

b. 1. A oração pelos mortos e o conceito de Purgatório (12. 40-46).

b. 2. Culto e missa pelos mortos (12. 43).

b. 3. A intercessão pelos santos (15. 14).

b. 4. O próprio autor se julga inspirado (15. 38-40). 

c. Tobias (200 a.C.) É uma historia curta e alegórica sobre a bondade de Tobiel, pai de Tobias, durante uma viagem a terra distante; uma expedição de pesca; um caso de amor; a descoberta de um tesouro; o encontro com um anjo disfarçado; um caso de exorcismo; o costume de sepultamento religioso; idéias teístas. A narrativa mostra uma idéia da vida judaica no início do segundo século antes de Cristo.

O livro apresenta:

c. 1. Justificação pelas obras (4. 7-11; 12. 8).

c. 2. Mediação dos santos (12. 12).

c. 3. Superstições (6. 5, 7-9)

c. 4. Um anjo engana Tobias e o ensina a mentir (5. 11-14).

c. 5. Erros históricos e geográficos (1. 15; 14. 15). 

d. Judite (150 a.C.) É a história de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. A grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios. E uma história da mulher judia ideal e devota; uma heroína que mostra a coragem feminina. O livro apresenta:

d. 1. Aconselham atos imorais (9. 10, 13).

d. 2. Erros históricos e geográficos (1.1; 4. 3; 5. 19). 

e. Sabedoria de Salomão (40 d.C.). Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã). Apresenta: o corpo como prisão da alma (9. 15), doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma (8. 19-20).

Exalta a sabedoria, a qual tanto é religião como é hipóstase divina; um ser quase divino.

O livro apresenta:

e. 1. O corpo como prisão da alma (9. 15).

e. 2. Doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma (8. 19, 20).

e. 3. Salvação pela sabedoria (9. 18).  

f. Eclesiástico (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fossem as tantas heresias. Exemplo: A justificação pelas obras (3. 33-34), o trato cruel aos escravos (33. 26, 30; 42. 1, 5). Também incentiva o ódio aos Samaritanos (50. 27-28). È o livro mais longo dos apócrifos. Ben Siraque foi um mestre religioso em Jerusalém, um escriba, interprete e mestre da lei. Escreveu uma coletânea de ensaios sobre religião e a moral em dois volumes, imitando os provérbios canônicos. 

g. Baruque (100 d.C.). Diz-se escrito por Baruque, cronista de Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém pelos babilônios. Na verdade, foi escrito depois da destruição de Jerusalém pelos romanos. Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos (3. 4). 

3. 4. 5. Os acréscimos do Novo Testamento pela Igreja Católica. Acréscimos nos livros de:

a. Ester 10. 4-16, 24. Essas adições ressaltam o sentido religioso da narrativa original.

b. Cântico dos Três Jovens 3. 24-90. O cântico das três jovens na fornalha de fogo.

c. História de Suzana (Dan cap. 13. História que enfatiza a proteção de Deus aos fiéis. Segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.

d. Bel e o dragão (Dan. Cap. 14). Narra como foi desmascarada a astúcia dos babilônios idólatras e zomba da idolatria nos seus cultos. Contêm histórias sobre a necessidade da idolatria.

Os três livros apócrifos rejeitados pela Igreja Católica no Concílio de Trento em 1546 são:

a. 3º Esdras. Conta da grande festa da Páscoa feita pelo rei Jesus; a queda de Jerusalém; a reconstrução do Templo. A obra baseia-se em II Crônicas e Esdras, porém, não foi terminada.

b. 4º Esdras (ou Apocalipse de Esdras). Trata-se de seis visões. Aborda o sofrimento e o mal sobre Israel, em resultado da destruição de Jerusalém em 70 d.C.. A vinda do Messias que libertará a Israel do seu sofrimento.

c. A oração de Manassés. Oração de Manassés rei de Judá quando estava preso na Babilônia, conforme II Crônicas 33. 12-13. 

3. 4. 6. Livros apócrifos do Novo Testamento. Essa coletânea de escritos é mais numerosa que os apócrifos do Antigo Testamento e afirma fornecer informações adicionais de espécie supostamente autêntica sobre Cristo, Seus Apóstolos e outros seguidores Seus. A maior parte da literatura apócrifa do Novo Testamento tem nomes de livros do próprio Novo Testamento como:

(a) Evangelho. (b) Atos. (c) Epístolas. (d) Apocalipse. 

a. Evangelhos apócrifos: Evangelho segundo os Hebreus.

      Evangelho aos Egípcios.

      Evangelho de Tomé.

      Evangelho de Pedro.

      Evangelho de Nicodemos.

      Evangelho da Infância de Jesus.

      Evangelho de Tomé sobre a Infância de Jesus. 

b. Os livros apócrifos dos Atos dos Apóstolos: Atos de João.

       Atos de Paulo.

       Atos de Pedro.

       Atos de Tomé. 

c. As epístolas apócrifas: Terceira epístola aos Coríntios. 

       Epístola dos Apóstolos.

       Epístola aos Laodicenses.

       A Correspondência entre Paulo e Sêneca 

d. Os livros apócrifos do Apocalipse: Apocalipse de Pedro.

   Apocalipse de Paulo. 

3. 4. 7. Citações dos livros apócrifos no Novo Testamento

Apesar de não haver muitas citações diretas dos livros apócrifos no Novo testamento há muitas alusões aos mesmos, com empréstimo de idéias e forma de expressão. Algumas citações ou empréstimos óbvios são:

a. O texto de Mt 11. 28-30, quase que repete as palavras do final do livro de Eclesiástico.

b. O capitulo 11 de Hebreus, ao descrever os heróis da fé, mostra-se bastante parecido com o capítulo quarenta e quatro de Eclesiástico.

c. A passagem de Hb. 11. 35, evidentemente, refere-se ao herói macabeu Eleazar, segundo descrição de II Macabeus 6. 20-21.

d. O trecho de Ef 6. 13-17, ao descrever as armas da nossa milícia, mostra-se bem parecido com o livro Sabedoria de Salomão 5. 17-20.

e. O texto de Hb 1. 1-3 sobre o Cristo Eterno, Exaltado e Preexistente – o Logos, é similar ao que diz o livro de Sabedoria de Salomão (7. 15-27), ao falar da sabedoria de Deus. 

3. 5. Livros pseudepígrafos

Esses livros faziam parte da produção literária do judaísmo helenista. São chamados pseudepígrafos porque os autores que os teriam escrito seriam falsos. Por exemplo, Enoque não escreveu os livros que lhe são atribuídos. Esses foram escritos entre 200 a.C. e 200 d.C.. São eles:

a. Livro dos Jubileus.

b. A Carta de Aristéias.

c. O Livro de Adão e Eva.

d. Os Livros de Enoque.

e. Os Segredos de Enoque.

f. Os Testamentos dos Doze Patriarcas.

g. Oráculos Sibílinos.

h. A Assunção de Moisés.

i. O Apocalipse Siríaco de Baruque.

j. 4º Livro de Esdras.

l. Os Salmos de Salomão.

m. 4º Livro dos Macabeus.

n. A História de Aicar.

o. As Declarações dos Pais. 

3. 5. 1. Idéias, citações e alusões dos pseudepígrafos no Novo Testamento

a. A descida de Cristo ao Hades (I Pd. 3. 18; 4. 6). Pode-se se ver isso nos livros de I Enoque 60. 5-25; 69. 26 e nos Doze Patriarcas. Alguns estudiosos pensam que esta passagem é um empréstimo direto feito de I Enoque.

b. Judas 9, que fala de uma disputa havida entre o anjo Miguel e o diabo, em torno do corpo de Moisés, foi emprestado do livro “A Assunção de Moisés”.

c. Os versículos 14 e 15 da epístola de Judas foram extraídos diretamente de I Enoque 1. 9; 5. 4; 27. 2; 60. 8; 93. 2. Esses versículos referem-se ao trabalho dos anjos por ocasião dos  julgamentos dos ímpios.  

d. Judas 11 menciona o caminho de Caim e o erro de Balaão, ilustrando metaforicamente os conceitos judaico – helenistas sobre o principio do mal e sua atuação no mundo.  

3. 5. 2. Livros apócrifos modernos. Muitos livros apócrifos modernos adicionam informes sobre assuntos ou idéias tratadas na Bíblia. Alguns de seus autores dizem ter recebido suas informações por meios paranormais como visões ou discernimento psíquico.

Um deles é o livro de Mórmon.

 A primeira edição de “O Livro de Mórmon” para o português apareceu no ano de 1938, e, até o ano de 1975, já haviam sido impressas seis edições. O Livro de Mórmon compõe-se de 15 li­vros, divididos em capítulos e versículos, tal como a Bíblia Sagra­da.

Os seus livros estão dispostos da seguinte maneira:

           Livro  Capítulos  Versículos
   a. 1º Livro de Nefi    22    618
   b. 2º Livro de Nefi    33    779
   c. Livro de Jacó    07    203
   d. Livro de Enos    01     27
   e. Livro de Jarom    01     15
   f. Livro de Omni    01     30
   g. As Palavras de Mórmon    01     18
   h. Livro de Mosiah    29    786
   i. Livro de Alma    63   1943
   j. Livro de Helamã    16    497
   l. 3a Livro de Nefi    30    765
   m. 4a Livro de Nefi    01     49
   n. Livro de Mórmon    09    227
   o. Livro de Éter    15    433
   p. Livro de Moroni    10    167 

No seu todo, o Livro de Mórmon soma um total de 239 capí­tulos e 6.553 versículos. Nele são encontrados capítulos inteiros da Bíblia. Por exemplo:

a. Ia Nefi 20 é igual a Isaías 48.

b. 2a Nefi 12 e 24 são iguais a Isaías 2 e 14.

c. 3a Nefi 24 é igual a Malaquias 3.

d. 3a Nefi 12 e 14 são iguais a Mateus 5 e 7.

e. Moroni 10.7-20 é igual a 1ª Coríntios 12.

3. 5. 3. Ainda outros apócrifos modernos

a. O Evangelho de Judas.

b. A Vida Desconhecida de Cristo.

c. O Evangelho Aquariano.

d. A Crucificação de Jesus.

e. O Relatório de Pilatos.

f. A Confissão de Pôncio Pilatos.

g. A Carta de Beham.

h. O Vigésimo Nono Capítulo de Atos.

i. A Epístola do Céu.

j. O Evangelho de Justos.

l. A Descrição de Cristo.

m. O Atestado de Óbito de Jesus Cristo.

n. O Longamente Perdido Segundo Livro de Atos.

o. O Ahspe.

p. Os Livros Perdidos da Bíblia.

q. Gravuras Sobre o Cristo e o Evangelho de Magus. 

            Diante de tudo que foi apresentado é necessário estarmos atentos e bem informados com relação à Palavra de Deus para combater as heresias inseridas em Bíblias e neste tipo de literatura.

CAPÍTULO IV

INSPIRAÇÃO, REVELAÇÃO E ILUMINAÇÃO        

            As Escrituras sagradas é a Palavra de Deus e foi preciso ela ser inspirada e revelada. E para ser compreendida, precisa-se da Iluminação.

O que é a Inspiração bíblica? É a operação divina através da qual Deus influenciou os escritores bíblicos, capacitando-os a receber a mensagem divina, movendo-os a transcrevê-la como as tinha recebido. Dessa maneira, a Palavra de Deus recebeu autoridade divina, garantindo a exata transferência da revelação de Deus através da linguagem humana (I Co 2. 13; II Tm 3. 16; II Pe 1. 20-21). Pode-se afirmar que existe nela uma autoria dupla. Que são:

a. Autoria divina. É que as Escrituras é a Palavra de Deus, porque se originaram Dele como expressão de Sua mente. Vejamos: “Toda a Escritura divinamente inspirada…” (II Tm 3. 16). O termo “inspirado” aí é “theopneustos”, isto é, soprada por Deus.  

b. Autoria humana. Alguns homens foram escolhidos por Deus para receber dEle aquilo que Deus queria que fosse escrito. Em II Pedro 1. 2 se lê: “Homens santos de Deus falaram movidos (Gr. pherô, sig. conduzidos) pelo Espírito Santo”.

4. 1. Algumas teorias sobre a inspiração divina

            a. Inspiração natural. Diz que não existe nenhum elemento sobrenatural na inspiração. Que a Bíblia foi escrita por homens talentosos.

b. Inspiração mística ou iluminativa. Afirma que os escritores bíblicos eram cheios para escrever, como qualquer salvo nos dias de hoje pode ser.

c. Inspiração mecânica (teoria da ditação). Argumenta que os autores bíblicos, foram usados mecanicamente, escreviam a medida que Deus ia ditando. Apenas algumas passagens foram ditadas (ex. os Dez mandamentos).           

d. Inspiração parcial. Diz que apenas aquilo que não era conhecido do homem foi inspirado (ex. a Criação, ou mesmo conceitos espirituais).

            e. Inspiração conceitual. Fala que só os conceitos e não as palavras foram inspiradas (ex. pecado como a violação dos direitos de Deus, que o sangue de Jesus salva).

            f. Inspiração gradual. Que autores bíblicos foram mais inspirados que outros autores. 

g. Inspiração neo-ortodoxa. Argumenta que os autores humanos só poderiam produzir um registro falível, logo, a Bíblia apenas contém a Palavra de Deus.

            h. Inspiração verbal e plenária. Esta é a verdadeira doutrina da Inspiração das Escrituras e significa que cada palavra (verbal) e todos os assuntos (plenária) formados por elas são de inspiração divina. 

4. 1. 1. Provas da Inspiração divina. Em II Timóteo 3 16 diz que Deus é o autor das Escrituras, ao ser usada a palavra grega “theopneustos”, literalmente (carregados, conduzidos pelo Espírito Santo). Assim, as Escrituras são produtos do sopro de Deus. Vejamos:

            a. “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Israel…”. (Êx 17. 14).

b. “Assim fala o Senhor, Deus de Israel, dizendo: Escreve num livro todas as palavras que te tenho dito” (Jr 30. 2).

            Os escritores estavam conscientes de estarem escrevendo a Palavra de Deus. Ex.:

a. Paulo escreve: “As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina comparando as coisas espirituais com as espirituais” (I Co 2. 13).

b. Pedro falando sobre a inspiração de Paulo em todas as epístolas, escreve: “… entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente outras Escrituras, para sua própria perdição” (II Pe. 3. 16).

4. 1. 2. A Revelação (lit. tirar o véu). Revelação é o ato através do qual Deus descerra o véu e comunica a verdade à mente humana, manifestando aquilo que jamais poderia ser conhecido de outro modo.

Há pelo menos sete maneiras conhecidas de como Deus de revelou ao homem 

a. Pela Natureza: Os céus declaram a glória de Deus… (Sl 19. 1-2).

       Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta… (Rm 1. 19-20). 

b. Através da providência. A providência é a execução de Deus das dispensações em todos os seus detalhes (Gn 48. 15; 50. 20; Rm 8. 28; Sm 57. 2; Jr 30. 11; Is 54. 17).   

c. Na preservação: E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele (Cl 1. 17).

         O qual, sendo o resplendor da sua glória… (Hb 1. 3).

         Nem tampouco é servido por mãos de homens… (At 17 25, 28). 

d. Nos milagres: ENTÃO respondeu Moisés, e disse: Mas eis que não me crerão… (Êx 4. 1-9). 

e. Através da comunicação direta: Boca a boca falo com ele… (Nm 12. 8).

E nunca mais se levantou em Israel um profeta… (Dt. 34: 10).

f. Na Encarnação: HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes… (Hb 1. 1).

       Muito tenho que dizer e julgar… (Jo 8. 26).

         No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo… (Jo 1. 1-3. 14). 

g. Pelas Escrituras: Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular    interpretação (2 Pe 1. 20).   

4. 1. 3. A Iluminação é o ato pelo qual o Espírito Santo capacita aos que lêem a Bíblia com o objetivo de entendê-la e aplicá-la as suas vidas (I Co 2. 12; Lc 24. 32, 45). A Iluminação admite graus, podendo alguém ter muita iluminação ou pouca (Ef 1. 16-18; 4. 23; Cl 1.  9).

            a. A Iluminação não se limita apenas a questões comuns, mas pode atingir as coisas profundas de Deus (I Co 2. 10), porque o Espírito Santo que conhece todas as coisas de Deus, está no coração do crente. Não é uma voz falando audível e exteriormente, mas o despertar da mente e do coração, para a compreensão das Escrituras (I Co 2. 16).

            b. Este despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (1 Co 2. 15), ao passo que aquele que é carnal não pode receber as verdade mais profundas de Deus, que são comparadas ao alimento sólido (I Co 2. 15; 3. 1-3; Hb 5. 12-14). 

4. 1. 4. A Iluminação, a Inspiração e a Revelação, estão intrinsecamente ligadas, porém, podem ser independentes, pois pode haver:

a. Inspiração sem revelação (Lc 1; 1-3; I Jo 1. 1-4) e inspiração com revelação (Ap 1. 11).

b. Inspiração sem iluminação (I Pe 1. 10-12) e iluminação sem inspiração (Ef 1. 18) e sem revelação (I Co 2; 12; Jd 3).

c. Revelação sem iluminação (I Pe 1. 10-12) e sem inspiração (Ap. 10. 3-4; Êx 20. 1-22). 

d. O apóstolo Paulo menciona os três conjuntamente, numa só passagem (I Co 2. 9-13).

d. 1. Revelação (v. 10). Iluminação (v. 11). Inspiração (v. 13).

CAPÍTULO V

OS TEXTOS MASSORÉTICOS 

         Veremos abaixo como os judeus procederam para que sua língua – o hebraico – depois do exílio babilônico, através dos Textos Massoréticos, não fosse esquecida. Como também será visto como se originou o Talmud e os Targuns – as paráfrases das leis judaicas.  

5. 1. SÍNTESE SOBRE OS TEXTOS MASSORÉTICOS

a. A designação “Texto Massorético”, normalmente conhecido como TM, é uma expressão criada e utilizada pelo mundo acadêmico. Tal denominação refere-se a um grupo de manuscritos hebraicos da Bíblia, datados desde os primeiros séculos da Idade Média, sendo que todos apresentam semelhança entre si.

c. Estes manuscritos possuem um padrão elevado de uniformidade textual devido ao trabalho consistente e meticuloso dos escribas judeus do período medieval, conhecidos como massoretas, que adotaram um rígido sistema de preservação e de transmissão do texto da Bíblia Hebraica sem corrupções e alterações significativas.

            d. Os massoretas surgiram no período medieval. Esses eruditos judeus foram os sucessores dos antigos escribas judeus e que também se dedicaram a copiar e transmitir o texto da Bíblia Hebraica. Os sucessores dos escribas são conhecidos como massoretas.

                e. Todas as edições da Bíblia Hebraica, como também as traduções modernas, são baseadas no TM. A sua estrutura consonantal remonta ao período do Segundo Templo (520 a.C. a 70 d.C.) e, desde 100 d.C., aproximadamente, todas as comunidades judaicas adotaram-no como a forma textual definitiva e oficial das Sagradas Escrituras Hebraicas.

            f. O texto bíblico hebraico, tanto de judeus como de cristãos, baseia-se no TM estabelecido desde os primeiros séculos pelos escribas na época antiga e, mais tarde, pelos massoretas durante o período medieval.  

            g. Havia duas famílias de massoretas localizadas no Ocidente: A família de Ben Asher e a família de Ben Nafitali.

            h. Esses famílias de massoretas se localizavam na Síria e em Tiberíades.

            i. Havia também massoretas no Oriente. Estes se localizavam na Babilônia, nas regiões de Nehardea, Sura e Pumbedita. 

5. 2. O Talmude

O Talmud é formado por dois comentários da Torá, denominados de a “Mishná e a Guemará”. Ambas contêm regras legais e discussões para trás e para frente, dissecando e esclarecendo estas regras.

A comunidade em Israel compilou um Talmud no terceiro século, chamado o Talmud de Jerusalém. O Talmud Babilônico foi compilado 200 anos depois e é universalmente aceito como autoritativo. Em questões de concordância, ambos os Talmuds são consultados. Quando se trata de uma disputa, o Talmud Babilônico tem precedência. Assim, o Talmud Babilônico é com frequência chamado apenas de Talmud. 

5. 2. 1. Como se originou o Talmud

Segundo os judeus, existem duas “Torás”. A “Torá Escrita” recebida por Moisés diretamente de Deus; e a “Torá Oral” transmitida de boca a boca de Moisés a Josué, depois aos Anciãos, aos Profetas e aos homens da Grande Assembléia ou Sinagoga – em Babilônia.

A Grande Assembléia era liderada por Ezra no início do Segundo Templo e codificou grande parte da Torá Oral numa forma que pudesse ser memorizada pelos alunos. Esta codificação passou a chamar-se “Mishná” (uma espécie de “versão de bolso” das leis orais de Moisés – era considerada a 2ª lei – a Torá era a primeira).

Durante as gerações que sucederam a Sinagoga, a Mishná foi expandida pela nova legislação e leis de casos. As controvérsias começaram a surgir, variações na Mishná dos vários mestres começaram a aparecer. Ao mesmo tempo, a ordem da Mishná foi melhorada, especialmente por Rabi Akiva. Para acabar com as disputas, Rabi Judah, o Príncipe, redigiu uma edição definitiva da Mishná – que é aquela que existe hoje – terminada em 188 d.C. e publicada uns 30 anos depois.

Ao compilar sua obra, Rabi Judah fez uso da Mishná anterior, condensando-a e decidindo entre diversas questões controversas. Os Sábios de seu tempo, todos participaram com suas decisões e ratificaram sua edição. Até as opiniões rejeitadas foram incluídas no texto para que fossem reconhecidas e não revividas nas gerações seguintes.

Durante o período que precedeu Rabi Judah, a Torá Oral se desenvolveu na Mishná, ao passo que a análise dessa lei, se desenvolveu numa outra disciplina conhecida como “Guemará”.

Depois que a Mishná foi compilada, estas discussões continuaram, tornando-se muito importantes para esclarecer a Mishná. A Guemará desenvolveu-se oralmente por cerca de 300 anos depois da redação da Mishná. Finalmente, quando ficou em perigo de ser esquecida e perdida, Rabi Ashi, na sua escola na Babilônia, incumbiu-se de coletar todas estas discussões e colocá-las em ordem. Foi completada no ano 505 d.C..

5. 3. Sobre o Targum

Vimos acima que o Talmud é um comentário das leis orais e escritas. O Targum é uma tradução ou paráfrase da Bíblia Hebraica.  

a. O termo “Targum” possui vários significados: explicação, interpretação, comentário, tradução, versão e, de maneira específica, tradução do texto bíblico hebraico para o aramaico. È um tipo de tradução que vai além de simples versão do original hebraico: nele encontram-se comentários, ampliações, alterações, narrativas, interpretações, explicações e tradições rabínicas. 

b. Como o aramaico era a língua comum no Oriente Médio e na Mesopotâmia, os povos subjugados pela Babilônia passavam a usar este idioma no cotidiano. Portanto, com o tempo, o aramaico tornou-se tão importante para os judeus, quanto o hebraico. 

c. Este corpo literário foi o desenvolvimento escritural das traduções orais feitas nas Sinagogas.

d. Os dois principais targuns padronizados e oficializados pelo judaísmo são: O Targum de Ônquelos para o Pentateuco e o Targum de Jônatas ben Uziel para os Profetas.

e. O hebraico tornou-se a língua sagrada da Bíblia Hebraica, do serviço da Sinagoga, dos estudos e das discussões rabínicas. Também era falado no cotidiano, embora nos parece que, alguns não falavam o hebraico. Os judeus chamavam o aramaico de “hebraico”. Talvez por ser parte da cultura do povo.

f. Quando na Sinagoga era lido o texto hebraico do Pentateuco, fazia-se a tradução aramaica de maneira simultânea após a leitura de cada versículo da “parashá” (capítulo).           

g. Quando se lia os Profetas, a tradução era feita ao mesmo tempo ou logo após a leitura de cada dois ou três versículos da “baftará” (conclusão).

            h. Esse trabalho era feito por um intérprete profissional, que fazia sua tradução oralmente e sem auxílio de um texto previamente escrito (Neem. 8: 8).

Esse costume se estendeu por toda Diáspora.

            i. Durante a Idade Média esse costume continuou a ser utilizado pelos judeus e era a língua dos “massoretas” da maior parte da “Massorà”. 

5. 4. A Massorá

A Massorá (tradição), como é chamada, no sentido específico refere-se ao conjunto de notas escritas nas laterais e nas margens superior e inferior dos fólios (folhas), dos códeces massoréticos medievais.

a. OMassorá”, pode ser definido como o “mapeamento” meticuloso do texto da Bíblia Hebraica, tendo como objetivo, a íntegra preservação e a exata transmissão das Escrituras Sagradas. Daí o termo significar: informar, transmitir etc.

b. O texto bíblico hebraico, fruto do trabalho dos massoretas é denominado pelos eruditos de “Texto Massorético”, ou simplesmente “TM”.

c. No Dicionário de Michaelis, sua definição é: “Massorá”, trabalho crítico sobre a grafia e a leitura correta da Bíblia Hebraica feita pelos doutores judeus. 

CURIOSIDADES BÍBLICAS:

Curiosidade I. Junto ao Mar Morto na localidade de Hirbert Qumran foram descobertas  onze grutas e o número de textos bíblicos ali encontrados ultrapassa os 200. 

Curiosidade II. Guenizá significa esconder, guardar, ocultar, arquivar, Seu objetivo era recolher todo o material religioso desgastado pelo tempo e em desuso, pois continha conteúdo sagrado e, em muitos textos, constava o Tetragrama Sagrado. Passado um tempo, normalmente os membros da coletividade judaica retiravam todo o material para enterrá-lo, devido ao perigo de alguém tentar profaná-lo. 

Curiosidade III. Os russos venderam uma antiga cópia da Bíblia (o Códice Sinaítico) à Inglaterra por 510.000 dólares? 

Curiosidade IV. O mais longo telegrama do mundo foi o Novo Testamento, enviado de Nova Iorque a Chicago, duas cidades norte-americanas? 

Curiosidade V. Voltaire, o francês renomado e incrédulo que morreu em 1778, afirmou que, cem anos depois dele o Cristianismo estaria varrido da face da terra e teria passado à História. Mas o que aconteceu? Voltaire morreu e passou para a História.

Apenas cinqüenta anos depois de sua morte a Sociedade Bíblica de Genebra usou a gráfica e a residência dele para imprimir pilhas de Bíblia? Que ironia!     

 CONCLUSÃO

As objeções quanto a Bíblia ser totalmente inspirada são muitas. Por exemplo:

a. Os teólogos liberais declaram que a Bíblia contém a Palavra de Deus a as palavras dos homens. A Bíblia não é para ser igualada com a Palavra de Deus, visto que Deus se revela por outros meios além da Bíblia.           

b. Os neo-ortodoxos declaram que a Bíblia torna-se a Palavra de Deus quando numa experiência existencial, as palavras das suas páginas tornam-se vivas e falam pessoalmente ao homem.           

d. Já para os teólogos conservadores, ou ortodoxos:

d. 1. A Bíblia é a Palavra de Deus, porque foi Deus quem a fez escrever.

d. 2. Só a Bíblia é a Palavra de Deus, porque é Deus quem fala por intermédio dela.

d. 3. A Bíblia também contém a Palavra de Deus, porque nela encontramos a Revelação de Deus.

d. 4. A Bíblia também se torna a Palavra de Deus para o ateu, quando este toma consciência da existência de Deus.

 

 

 

 BIBLIOGRAFIA

ALEXANDER, D., O Mundo da Bíblia, São Paulo, S. P., Ed. Paulinas, 1986. 

ALMEIDA. Dicionário da Bíblia, Ed. São Paulo, 1994 

ANGUS, Joseph, História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, Rio de Janeiro, R. J., Casa Publicadora  Batista, 1971. 

BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida, Trad. De João Ferreira de Almeida. São Paulo, SBB, 1995. 

BITTENCOURT, B. P., O Novo Testamento: Metodologia de Pesquisa Textual, Rio de Janeiro, 3º Edição – Juerp – 1993. 

BUCK, Land, Dicionário Bíblico Universal, Ed. São Paulo, 2004. 

CHAMPLIN, Russel Norman, Enciclopédia da Bíblia e Teologia e Filosofia, São Paulo,2º Edição – Candeia, 1995.       

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CULLMANN, Oscar, A Formação do Novo Testamento, São Leopoldo, Editora Sinodal, 1984. 

DAVIS, John D., Dicionário da Bíblia, 22º Ed. São Paulo, Hagnos, 2004. 

MCDOWELL, Josh, Evidência Que Exige Um Veredicto (trad. Márcio Redondo), 2ª Ed., São Paulo, Editora Candeia, 1996.                                                                                                                                                         

LAPPLE, Alfred, A Bíblia Hoje, São Paulo, S. P., Ed. Paulinas, 1981. 

RONIS, Oswaldo, Geografia Bíblica, Rio de Janeiro, R. J., JUERP. 1989. 

SHEDD, R. P., O Novo Dicionário da Bíblia, V. I, São Paulo, 9º Edição. 

VÁRIOS AUTORES, Iniciação à Bíblia, Antigo Testamento, São Paulo, S. P., Ed. Paulinas, 1986.           

__________________, O Novo Testamento, São Paulo, S. P., Ed. Paulinas, 1986.

 OLIVEIRA, Raimundo F. de, Maturidade Cristã (professor), 4º Trimestre de 1986, CPAD.

Prof. Saulor – Consultor Teológico da ESTEADEBPE

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