Publicado por: esteadebpe | 13 de janeiro de 2012

Introdução à Psicologia

Apostila 01

Disciplina: Introdução à Psicologia

 Introdução, relações entre a Psicologia e a Teologia Cristã.

         A psicologia é a ciência que estuda a mente e o comportamento humano em toda a sua amplitude. Em linhas gerais a Psicologia é uma ciência que visa compreender as emoções, a forma de pensar e o comportamento do ser humano. Embora existam diversas áreas e linhas de atuação, a Psicologia busca o conhecimento e o desenvolvimento humano individualmente ou em grupo.

   Embora a psicologia cientifica tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que ela encontra campo para um rápido crescimento,resultado do grande avanço econômico que colocou os Estados Unidos na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem às inúmeras teorias que existem atualmente.

     Essas abordagens são: O funcionalismo, de William James (1842-1910). O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867-1927) e o Associacionismo, de Edward L. Thorndike (1874-1949).

O FUNCIONALISMO

   O funcionalismo é considerado como a primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em Psicologia. Uma sociedade que exigia o pragmatismo para seu desenvolvimento econômico acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito. Desse modo, para a escola funcionalista de W. James, importa responder “o que fazem os homens” e “por que o fazem”. Para responder a isto, W. James elege a consciência como o centro de suas preocupações e busca a compreensão de seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adapta-se ao meio.

O ESTRUTURALISMO

   O Estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno que o Funcionalismo: a consciência. Seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central. Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi Titchener, seguidor de Wundt, quem usou o termo estruturalismo pela primeira vez, no sentido de diferenciá-la do funcionalismo. O método de observação de Titchen, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.

O ASSOCIACIONISMO

   O principal representante do Associacionismo é Edward L. Thorndike, e sua importância está em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimento pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficas que perpassam a Psicologia.

   O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das idéias das mais simples às mais complexas, a pessoa precisaria primeiro aprender as idéias mais simples, que estariam associadas àquele conteúdo.

   Thorndike formulou a Lei do Efeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei, todo comportamento de um organismo vivo (um homem, um pombo, um rato etc.) tende a se repetir, se nós recompensarmos (efeito) o organismo assim que este emitir o comportamento. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência. E, pela Lei do Efeito o organismo ira associar essas situações com outras semelhantes. Por exemplo, se ao apertarmos um dos botões do rádio, formos “premiados” com a música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca-discos, gravadores, etc.

AS PRINCIPAIS TEORIAS DA PSICOLOGIA NO SÉCULO 20

   Psicologia enquanto um ramo da filosofia estudava a alma. A psicologia cientifica nasce quando, de acordo com padrões de ciência do século 19, Wundt preconiza a Psicologia “sem alma”. O conhecimento tido como cientifico passa então a ser aquele produzido em laboratórios, com uso de instrumentos de observação e medição. Se antes a Psicologia estava subordinada à Filosofia, a partir daquele século ela passa a ligar-se a especialidades da Medicina, que assumira, antes da Psicologia, o método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso de construção do conhecimento.

   Essa Psicologia cientifica, que se constituiu de três escolas, Associacionismo, Estruturalismo e Funcionalismo, foi substituída, no século 20, por novas teorias.

   As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia neste século são consideradas por inúmeros autores como sendo o Behaviorismo ou teoria (S-R) (do inglês Stimuli-Respond — Estimulo – Resposta) , a Gestalt e a Psicanálise.

   O Behaviorismo, que nasce com Watson e tem desenvolvimento grande nos Estados Unidos, em função de suas aplicações práticas, tornou-se importante por ter definido o fato psicológico, de certo modo concreto, a parti da noção de comportamento (behavior). O comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio. Certos estímulos levam o organismo a dar determinadas respostas e isso ocorre porque os organismos se ajustam aos seus ambientes por meio de equipamentos hereditários e pela formação de hábitos, Watson buscava a construção de uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos mentalistas e de métodos subjetivos, e que tivesse a capacidade de prever e controlar.

   Apesar  de colocar o “comportamento” como objetivo da Psicologia, o Behaviorismo foi, desde Watson, modificando o sentido desse termo. Hoje, não se entende comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas, sim, como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde o seu “fazer” acontece, Portanto, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o individuo (suas respostas) e o ambiente (as estimulações).

   Os psicólogos desta abordagem chegaram aos termos “resposta” e “estimulo” para se referirem àquilo que o organismo faz e às variáveis ambientais que interagem com o sujeito.

   O mais importante dos behavioristas que sucedem Watson é B. F. Skinner (1904-1990) .

   O Behaviorismo de Skinner tem influenciado muitos psicólogos americanos e de vários países onde a psicologia americana tem grande penetração, como o Brasil. Esta linha de estudo ficou conhecida por Behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs defender) por meio da analise experimental do comportamento.

   A base da corrente skinneriana está na formulação do comportamento operante. Para desenvolver este conceito, retrocederemos um pouco na historia do Behaviorismo, introduzindo as noções de comportamento reflexo ou respondente, para então chegarmos ao comportamento operante.

   O comportamento de reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos de “não-voluntário” e inclui as respostas que são eliciadas (“produzidas”) por estímulo antecedentes do ambiente. Como exemplo, podemos citar a contração das pupilas quando uma luz forte incide sobre os olhos, a salivação provocada por uma gota de limão colocada na ponta da língua, o arrepio na pele quando um ar frio nos atinge, as famosas “lágrimas de cebola” etc.

   Esses comportamentos reflexos ou respondentes são interações estímulo-resposta (ambiente-sujeito) incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais confiavelmente eliciam certas respostas do organismo que independem de “aprendizagem”. Mas interações desse tipo também podem ser provocadas por estímulos que, originalmente, não eliciavam respostas em determinado organismo. Quando tais estímulos são temporalmente pareados com estímulos eliciadores podem, em certas condições, eliciar respostas semelhantes às destes. A essas novas interações chamamos também de reflexos, que agora são condicionados devido a uma história de pareamento, o qual levou o organismo a responder a estímulos que antes não respondia. Para deixar isso mais claro, vamos a um exemplo: suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. A temperatura da mão cairá rapidamente devido ao encolhimento ou constrição dos vasos sangüíneos, caracterizando o acompanhamento de uma modificação semelhante, e mais facilmente mensurável, na mão esquerda, onde a constrição vascular também será induzida. Suponha, agora, que a sua mão direita seja mergulhada na água gelada um certo número de vezes, em intervalos de três ou quatro minutos, e que você ouça uma campainha pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo paramento do som da campainha com a água fria, a mudança de temperatura nas mãos poderá ser eliciada apenas pelo som, isto é, sem necessidade de imergir uma das mãos..

 O comportamento operante, abrange um leque amplo da atividade humana  —dos comportamentos do bebê de balbuciar, de agarrar objetos e de olhar os enfeites do berço aos mais sofisticados, apresentados pelo adulto. Como nos diz Keller, o comportamento operante “inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta, quer indiretamente”³.

   Exemplo de comportamento operante: escrever uma carta chamar o táxi com um gesto de mão, tocar um instrumento e etc.

  Reforçamento. Chamamos de reforço a toda conseqüência que, seguindo uma resposta, altera a probabilidade futura de ocorrência dessa resposta.

   O reforço pode ser positivo ou negativo.

   O reforço positivo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o produz.

   O reforço negativo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o remove ou atenua.

   Entretanto, alguns eventos tendem a ser reforçados para toda uma espécie, como, por exemplo, água, alimento e afeto. Esses são denominados reforços primários. Os reforços secundários, ao contrario, são aqueles que adquiriram a função quando pareados temporalmente com os primários. Alguns destes reforçadores secundários, quando emparelhados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e a aprovação social.

   Outros processos foram sendo formulados pela Análise Experimental do comportamento. Um deles é o da Extinção.

   A extinção é um procedimento no qual uma resposta deixa abruptamente de ser reforçada. Como conseqüência, a resposta diminuirá de freqüência e até mesmo poderá deixar de ser emitida. O tempo necessário para que a resposta deixe de ser emitida dependerá da história e do valor do reforço envolvido.

   A punição é outro procedimento importante que envolve a conseqüenciação de uma resposta quando há apresentação de um estimulo aversivo ou remoção de um reforçador positivo presente.

   Os dados de pesquisas mostram que a supressão do comportamento punido só é definitiva se a punição for extremamente intensa, isto porque as razões que levaram à ação — que se pune — não são alteradas com a punição. O transito é um excelente exemplo. Apesar das punições aplicadas a motoristas e pedestres na maior parte das infrações cometidas no trânsito, tais punições não os têm motivado a adotar um comportamento considerado adequado para o trânsito. Em vez de adotarem novos comportamentos, tornaram-se especialistas na esquiva e na fuga.      

 A Gestalt, que tem seu berço na Europa, surge como uma negação da fragmentação das ações e processos humanos, realizada pelas tendências da Psicologia cientifica do século 19,postulando a necessidade de se compreender o homem como uma totalidade. A Gestalt é a tendência teórica mais ligada à Filosofia.

   Seus articuladores preocuparam-se em construir não só uma teoria consistente, mas também uma base metodológica forte, que garantisse a consistência teórica.

   Gestalt é um termo alemão de difícil tradução. O termo mais próximo em português seria forma ou configuração, que não é utilizado, por não corresponder exatamente ao seu real significado em Psicologia.

   Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941), baseados nos estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção, construíram a base de uma teoria eminentemente psicológica.

   Os gestaltistas estavam preocupados em compreender quais os processos psicológico envolvidos na ilusão de ótica, quando o estimulo físico é percebido pelo sujeito como uma forma diferente da que ele tem na realidade.

   A percepção é o ponto de partida e também um dos temas centrais dessa teoria. Os experimentos com a percepção levaram os teóricos da Gestalt ao questionamento de um principio implícito na teoria behaviorista — que há relação de causa e efeito entre o estimulo e a resposta — porque, para os gestaltistas, entre o estimulo que o meio fornece e a resposta do individuo, encontra-se o processo de percepção. O que o individuo percebe são dados importantes para a compreensão do comportamento humano.

   Na visão dos gestaltistas, o comportamento deveria ser estudado nos seus aspectos mais globais, levando em consideração as condições que alteram a percepção do estimulo. Para justificar essa postura, eles se baseavam na teoria do isomorfismo, que supunha uma unidade do universo, onde a parte está sempre relacionada ao todo.

   Quando eu vejo uma parte de um objeto, ocorre uma tendência à restauração do equilíbrio da forma, garantindo o entendimento do que estou percebendo.

   Esse fenômeno da percepção é norteado pela busca de fechamento, simetria e regularidade dos pontos que compõem uma figura (objeto).

   A Gestalt encontra nesses fenômenos da percepção as condições para a compreenção do comportamento humano. A maneira como percebemos um determinado estimulo irá desencadear nosso comportamento. Muitas vezes, os nossos comportamentos guardam relação estreita com os estímulos físicos, e outras, eles são completamente diferentes do esperado porque “entendemos” o ambiente de uma maneira diferente da sua realidade. Quantas vezes já nos aconteceu de cumprimentarmos a distância uma pessoa conhecida e, ao chegarmos mais perto, deparamos com um atônito desconhecido. Um “erro” de percepção nos levou ao comportamento de cumprimentar o desconhecido. Ora, ocorre que, no momento em que confundimos a pessoa, estávamos “de fato” cumprimentando nosso amigo.

   Esta pequena confusão demonstra que a nossa percepção do estímulo (a pessoa desconhecida) naquelas condições ambientais dadas é mediatizada pela forma como interpretamos o conteúdo percebido.

   A tendência da nossa percepção em buscar a boa-forma permitirá a relação figura-fundo.       

   A psicologia da Gestalt, diferentemente do associacionismo, vê a aprendizagem com a relação entre o todo e a parte, onde o todo tem papel fundamental na compreensão do objeto percebido, enquanto as teorias de S-R (Associacionismo, Behaviorismo) acreditam que aprendemos estabelecendo relações — dos objetos mais simples para os mais complexos.

   Exemplificando, é possível a uma criança de 3 anos, que não sabe ler, distinguir a logomarca de um refrigerante,distinguindo a figura (palavra) e o fundo.

   Nem sempre as situações vividas por nós apresentam-se de forma tão clara que permita sua percepção imediata. Essas situações dificultam o processo de aprendizagem, porque não permitem uma clara definição da figura-fundo, impedindo a relação parte/todo.

   Acontece, às vezes, de estarmos olhando para uma figura que não tem sentido para nós e, de repente, sem que tenhamos feito nenhum esforço especial para isso, a relação figura-fundo elucida-se.

•  A Psicanálise, que nasce com Freud, na Áustria, a partir da prática médica,recupera para a Psicologia a importância da afetividade e postula o inconsciente como objeto de estudo, quebrando a tradição da Psicologia como ciência da consciência e da razão.

   O termo psicanálise é usado para se referir a uma teoria, um método de investigação e a uma pratica profissional. Enquanto teoria, caracteriza-se por um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida, relatando suas descobertas e formulando leis gerais sobre a estrutura e o funcionamento da psique humana. A psicanálise, enquanto método de investigação, caracteriza-se pelo método interpretativo, que busca o significado oculto daquilo que é manifesto por meio de ações e palavras ou pelas produções imaginárias , como os sonhos, os delírios, as associações livres ,os atos falhos. A prática profissional refere-se à forma de tratamento — a Análise — que busca o auto-conhecimento ou a cura, que ocorre através desse auto-conhecimento. Atualmente, o exercício da Psicanálise ocorre de muitas outras formas. Ou seja, é usada como base para psicoterapias, aconselhamento, orientação; é aplicada no trabalho com grupos, instituições. A Psicanálise também é um instrumento importante para a analise e compreensão de fenômenos sociais relevantes: as novas formas de sofrimento psíquico, o excesso de individualismo no mundo contemporâneo, a exacerbação da violência etc.

  Em Viena, o contato de Freud com Josef Breuer, médico e cientista, também foi importante para a continuidade das investigações. Nesse sentido, o caso de uma paciente de Breuer foi significativo. Ana O. apresentava um conjunto de sintomas que fazia sofrer: paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldades de pensamento. Esses sintomas tiveram origem na época em que ela cuidara do pai enfermo. No período em que cumprira essa tarefa, ela havia tido pensamentos e afetos que se referiam a um desejo de que o pai morresse. Estas idéias e sentimentos foram reprimidos e substituídos pelos sintomas.

   Em seu estado de vigília, Ana O. não era capaz de indicar a origem de seus sintomas, mas, sob o efeito da hipnose, relatava a origem de cada um deles, que estavam ligados a vivências anteriores da paciente, relacionadas com o episódio da doença do pai. Com a rememoração destas cenas e vivências, os sintomas desapareciam. Este desaparecimento não ocorreria de força “mágica”, mas devido à liberação das reações emotivas associadas ao evento traumático — a doença do pai, o desejo inconsciente da morte do pai enfermo.

   Breuer denominou método catártico o tratamento que possibilita a liberação de afetos e emoções ligadas a acontecimentos traumáticos que não puderam ser expressos na ocasião da vivência desagradável ou dolorosa. Esta liberação de afetos leva à eliminação dos sintomas.

   “aos poucos, foi modificando a técnica de Breuer: abandonou a hipnose, porque nem todos os pacientes se prestavam a ser hipnotizados; desenvolveu a técnica de ‘concentração’, na qual a rememoração sistemática era feita por meio da conversação normal; e por fim, acatando a sugestão (de uma jovem) anônima, abandonou as perguntas — e com elas a direção da sessão — para se confiar por completo à fala desordenada do paciente”

   “Qual poderia ser a causa de os pacientes esquecerem tantos fatos de sua vida interior e exterior … ?”, perguntava Freud.

   O esquecido era sempre algo penoso para o individuo, e era exatamente por isso que havia sido esquecido e o penoso não significava, necessariamente, sempre algo ruim, mas podia se referir a algo bom que se perdera ou que se fora intensamente desejado. Quando Freud abandonou as perguntas no trabalho terapêutico com os pacientes e os deixou dar livre curso às suas idéias, observou que, muitas vezes, eles ficavam embaraçados, envergonhados com algumas idéias ou imagens que lhes ocorriam. A esta força psíquica que se opunha a tornar consciente, a revelar um pensamento, Freud denominou resistência. E chamou de repressão o processo psíquico que visa encobrir, fazer desaparecer da consciência, uma idéia ou representação insuportável e dolorosa que está na origem do sintoma. Estes conteúdos psíquicos “localizam-se” no inconsciente.

   Tais descobertas

   “(…) constituíram a base principal da compreensão das neuroses e impuseram uma modificação do trabalho terapêutico. Seu objetivo (…) era descobrir as repressões e suprimi-las através de um juízo que aceitasse ou condenasse definitivamente o excluído pela repressão. Considerando este novo estado de coisas, dei ao método de investigação e cura resultante o nome de psicanálise em substituição ao de catártico”.  

       A primeira teoria sobre a estrutura do aparelho psíquico:  O inconsciente, o pré-consciente e o consciente.

       A descoberta da sexualidade infantil.

       A segunda teoria do aparelho psíquico: O id, o ego e o superego

RELAÇÃO ENTRE A PSICOLOGIA E A TEOLOGIA

       “embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. (2ª Coríntios 10:3-5)

         O homem esforça-se para encontrar um sentido para a vida neste mundo. Parte desse esforço é a tentativa de integração entre a Teologia Cristã e a Psicologia, uma vez que ambas oferecem grande contribuição para a compreensão da raça humana. Essa proposta considera que o produto do estudo bíblico e a pesquisa da Psicologia têm igual valor quanto à visão da realidade. No entanto, tal visão da realidade está em constante fluxo, devido ao continuo avanço e expansão da teoria e conhecimento científico.

        Há três abordagens diferentes em relação à integração da Psicologia e a Teologia Cristã.

A primeira afirma que a Teologia Cristã e a Psicologia são essencialmente incompatíveis. Ambas são percebidas como inimigas mortais.

A segunda abordagem encontra valor em certos conceitos bíblicos, mas os redefine de forma a remover seu conteúdo sobrenatural, analisando-os de modo a explicá-los sem seus aspectos miraculosos e divinos.

         A terceira abordagem reconhece tanto a Psicologia como a Teologia Cristã como legítimas, mas não busca uma integração entre elas, mantendo-as em compartimentos separados, secular e sagrado. São reconhecidas como expressando as mesmas verdades, possibilitando o uso da Psicologia para ilustrar e dar apoio ao ensino teológico.

       Alguns cristãos buscam uma integração entre a Psicologia e a Teologia Cristã, argumentando que toda a verdade é a verdade do Deus criador de todas as coisas, seja ela encontrada na revelação bíblica ou na experimentação científica. A tentativa de equalizar a revelação bíblica e as percepções humanas estimuladas pela criação encontra uma dificuldade. Enquanto o homem e a natureza são caídos, a revelação das Escrituras não é. Pelo contrário, sua mensagem é inerrante. Foi introduzida depois da Queda com o propósito de comunicar o amor de Deus ao homem caído.

       Como conseqüência, as interpretações e conclusões derivadas do estudo dos dados tirados da criação não podem receber o mesmo status das declarações claras e simples das Escrituras. A última coisa que queremos é escurecer os ensinos bíblicos integrando-os às areias movediças das teorias e modelos científicos. Pelo contrário, o trabalho crucial do cristão é preservar e difundir a fé que “uma vez por todas foi confiada aos santos” (Judas 1:3)

         As Escrituras devem reger nosso entendimento da pesquisa, da teoria e da prática psicológicas, ainda que uma possa cooperar com a outra. A Psicologia faz perguntas e oferece dados que ajudam o entendimento teológico do ser humano, e a Teologia expressa as verdades divinamente reveladas que oferecem qualidade à visão da humanidade da Psicologia que, por natureza, está em desenvolvimento constante.

       A Escritura é verdade, assim como os dados que aprendemos da natureza. O homem que lida com ambos, porém, é caído e falível. Então, sua interpretação tanto da Escritura como da criação não tem a garantia da certeza. O objetivo da vida humana tornou-se uma busca pela verdade e um esforço para integrar toda a verdade disponível em um dado momento. Nossa compreensão da verdade não é completa, mas está em constante avanço. Aqui lidamos com um dilema: de um lado, temos a compreensão humana, que, marcada pela queda, não é plena, mas muda o tempo todo. De outro, temos o homem falido e falível, que busca compreender a verdade, ao mesmo tempo em que a percebe de forma limitada.

       Precisamos de mais conhecimento que possa ajudar-nos a tratar com os inumeráveis problemas confrontando a igreja hoje. Precisamos de novas percepções sobre o ensino bíblico e novos conceitos teóricos para entender melhor a natureza do homem e de seu funcionamento. E precisamos de uma aplicação crescente de nosso conhecimento bíblico. A Psicologia e a Teologia podem cooperar para uma reavaliação das respostas que tem sido dadas a algumas questões antigas. Devemos estar dispostos a usar o que já sabemos até agora para fundamentar nosso estudo do ser humano e do dilema humano.

      Temos, de um lado, a Escritura que se afirma a si mesma como suficiente para a instrução do homem na verdade (2 Tm 2:15; 3:16). Do outro lado, a ciência humana que caminha devagar, pois tratada pelo homem com sua natural ansiedade e conseqüente necessidade de defesa. Torna-se rígido, fechado ou intolerante, temendo as conseqüências da abertura. Temos aprendido que é mais seguro restringir nossa consciência. Como o homem, com tal dificuldade, pode garantir uma compreensão adequada de si mesmo?

      Como Cristãos podemos afirmar uma sabedoria parcial nisso tudo, mas apenas dentro do contexto de uma estrutura bíblica fixa e ampla. A Bíblia recomenda-nos cautela e circunspecção. (I Ts 5:21) As Escrituras nos ensinam a não nos conformarmos com este mundo, mas transformar nosso modo de pensar segundo a mente Daquele que tem autoridade sobre tudo.

       Não temos que validar a revelação com o conhecimento do mundo, mas trazer o conhecimento do mundo cativo à revelação: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. (2ª Coríntios 10:5). Não temos que nos engajar em uma busca pela verdade, mas proclamar que temos sido visitados pela verdade (João 1:9, 10) e a Palavra de Deus é a verdade.

        A decisão do cristão deve ser evitar lealdade a qualquer ciência humana. Não por conta da incerteza perpétua do homem, mas por que toda ciência, ainda que em processo de descoberta da verdade, depende de construtos humanos e, portanto, inferior a nós mesmos, alvos da Graça de Deus. Não podemos tomar as teorias humanas seriamente porque são em princípio falíveis. A eterna sabedoria nos diz que o criador não se curva diante da sua criação.

Um modelo bíblico para a Psicologia

A Bíblia, anunciando a Graça de Deus para o homem, considera-o definitivo. Tão definitivo que Cristo tornou-se homem e viveu entre nós. Mesmo em sua natureza glorificada pela ressurreição, pôde ser reconhecido pelos discípulos. Portanto, a ciência não pode ser maior que nós, pois ela é criação nossa, ainda que limitada, imperfeita. A recusa de adorar as obras de nossas mãos nos dá liberdade. Nós somos os mestres da pesquisa e da teoria científicas e elas são apenas instrumentos e ferramentas. A posição cristã é clara: trazer as imaginações humanas à submissão de Deus e sua Palavra.

          Através de Sua Palavra Deus providenciou um sistema no qual há tanto estrutura como liberdade. Se crermos com firmeza em seus claros ensinos, recusando ficarmos impressionados diante das obras de nossas mãos e de nossas especulações, seremos abençoados e aproveitaremos uma Psicologia produtiva, porque orientada por Deus. Na liberdade do Reino de Cristo descobriremos todas as boas e verdadeiras coisas que Ele tem para nós no domínio da Psicologia. A estrutura de pensamento providenciada pelo Espírito Santo permite um avanço da ciência porque ela submete o conhecimento da ciência ao endosso de Deus, que valida ou não nossas teorias e modelos científicos.

        As doutrinas e categorias bíblicas básicas não podem ser niveladas às teorias e conceitos humanos. Se fizermos isso teremos um mau Cristianismo e uma má Psicologia. Se mantivermos firmeza de fé e disposição de submissão a todo conselho bíblico, encontraremos a liberdade e a estrutura necessária para verdadeira produção científica. Em Cristo eem Seu Reino, a Palavra de Deus é sempre “sim”. (2ª Coríntios 1:20). A ciência humana será sempre talvez e, muito freqüentemente, não.

BIBLIOGRAFIA 

PSICOLOGIAS( Uma introdução ao estudo da psicologia)

Teixeira, Maria de Lourdes Trassi

Furtado,Odair

Bock, Ana Mercês Bahia

DESENVOLVIEMENTO E PERSONALIDADE DA CRIANÇA

Musse, Paul Henry; Conger, John Janeway

Kagan, Jeromo; Huston, Aletha Carol.

PSICOLOGIA

Lindzey, Gardner

Hall, Calvin S.

Thompson, Richard F.

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Responses

  1. Aproveitem o site !

    Glória à Deus por tudo !

    Aldo Corrêa de Lima – 81.9622.0778


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